Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 04/12/2020
Segundo o filósofo John Locke, um bom Estado é aquele que ensina e que constrói seus homens para uma sociedade mais positiva. No entanto, observam-se falhas desafiadores na atuação estatal no que se refere à conscientização da população quanto à saúde masculina. Nesse contexto, em razão da falta de debate e da lenta mudança na mentalidade social, emerge um problema complexo.
Sob um primeiro olhar, convém destacar que o silenciamento a respeito do tema é uma causa latente neste caso. Nessa perspectiva, Habermas traz uma contribuição ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Contudo, apesar da disponibilidade de diversos instrumentos de comunicação, por exemplo, as redes sociais, percebe-se que a inércia do governo perante o desconhecimento de uma parcela masculina da população sobre a prática de prevenção de problemas de saúde, é um fator que torna sua solução ainda mais desafiadora. Assim, vê-se que mudanças são vitais para a atenuação do problema.
Além disso, cabe ressaltar que as questões socioculturais são um forte empecilho para a dissolução do revés. Conforme Durkheim, o indivíduo é fortemente influenciado pela maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que o retrógrado culto a uma masculinidade forte e intocável, que interfere na tomada de decisão de homens inseridos nessa realidade, se configura como uma barreira social ao diagnóstico precoce e ao tratamento de inúmeras doenças, como o câncer de próstata, segundo tipo de câncer mais frequente entre homens brasileiros, de acordo com dados do governo. Desse modo, uma quebra de paradigmas com relação à saúde masculina é vital para a construção de um Brasil melhor.
Portanto, é evidente que uma intervenção faz-se necessária. Logo, urge ao Ministério da Saúde, aliado à Sociedade Brasileira de Urologia, instruir a população masculina sobre os benefícios de fazer exames preventivos regulares, por meio de palestras e rodas de conversa semestrais em praças públicas, com a presença de médicos urologistas e pacientes já reabilitados, a fim de conscientizá-los sobre como agir na busca por diagnósticos e cuidados. Dessa forma, será possível presenciar uma sociedade mais positiva como pensada por John Locke.