Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 07/12/2020
É perceptível que o nível de conscientização da população brasileira tem aumentado nos últimos anos, porém a situação continua preocupante no cenário masculino, onde não há busca dos serviços de saúde para prevenir doenças. Dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer),mostram que o câncer de próstata causou 15 mil mortes no Brasil entre 2018 e 2019. Diante disso, é necessário tomar medidas para conscientizar as pessoas sobre. Porém, os tabus da masculinidade impostos à sociedade e a falta de informações sobre esse câncer são desafios para o tratamento.
Segundo dados divulgados pela mídia brasileira, homens procuram o médicos por prevenção menos do que mulheres, também fumam e têm maior excesso de peso. Isso porque os homens tendem a se preocupar menos com a saúde, priorizam o trabalho e outras questões e têm hábitos menos relacionados à saúde por questões históricas e socioculturais machistas. Kant acredita que o caráter de uma pessoa é formado por sua educação. De forma que um garoto criado sob a mentalidade machista poderá sentir sua masculinidade fragilizada ao saber que o exame é feio pelo ânus, visto que o órgão foi sexualizado socialmente.
A falta de informação sobre o câncer de próstata geralmente não ressoa e silencia com o tempo. Embora a campanha “Novembro Azul” tenha sido criada como uma forma de conscientizar os homens sobre a doença, vale destacar que nos outros meses do ano o assunto ficou em segundo plano. A única forma de garantir a cura do câncer de próstata é o diagnóstico precoce. Mesmo que não haja sintomas, homens com mais de 45 anos com fatores de risco ou homens com mais de 50 anos sem esses fatores devem conversar com um urologista sobre o exame retal para que o médico possa avaliar as alterações na glândula.
Diante desse quadro, o Ministério da Saúde deve propor medidas de promoção da demanda por atendimento e realizar campanhas de incentivo à prevenção de doenças e orientação à população. Muitos homens procuram atendimento médico somente depois de serem afetados por doenças graves, como doenças cardíacas e diabetes. É preciso investir em campanhas na mídia nacional, ampliar as redes de atendimento e consultas regulares para estimular e promover a demanda por serviços médicos. Normalmente, os cidadãos não procuram atendimento devido à burocracia e à longa espera por consultas no Sistema Único de Medicina (SUS). Além disso, políticas públicas e educação em saúde devem ser investidas, principalmente nas escolas, para conscientizar os cidadãos sobre a importância da consulta regular de creches e prevenção de doenças. Segundo Immanuel Kant, o problema da educação é melhorar os segredos humanos.