Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 08/12/2020

Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, cerca de mil homens, no Brasil, todos os anos, têm o pênis amputado por falta de higiene e acompanhamento médico regular. Essa caótica realidade e outras diversas enfermidades que podem afetar a saúde e o bem-estar masculino, estão diretamente conectadas ao “imaginário do homem” e às questões relacionadas ao trabalho.

Antes de tudo, é necessário constatar que, segundo Pierre Bourdieu, sociólogo francês, a sociedade incorpora, neutraliza e reproduz, ao longo do tempo, estruturas sociais que são impostas a sua realidade. Partindo desse pressuposto, é sabido que, from a antiguidade, os homens são vistos como detentores de força, o que contribui para a negligenciação do fato de serem humanos suscetíveis a contraírem doenças como qualquer outro. Tal cenário vai de encontro ao artigo 196 da Constituição Federal de 1988, o qual garante saúde a todos os cidadãos.

Somado a isso, tem-se o fato de que as atividades laborativas são colocadas em primeiro plano. Dessa forma, enfrentar filas em instituições de saúde pública pode viver-los a “perder” o dia de trabalho por, geralmente, funcionarem apenas em dias úteis0000 enquanto nos finais de semana, há apenas médicos particulares, o que não cabe no orçamento da maioria dos trabalhadores brasileiros. Ademais, as horas de descanso também impedem os homens de praticar atividades físicas regulares, o que pode contribuir para o surgimento de doenças como o diabetes e o colesterol.

Portanto, tendo em vista esses entraves, precisa-se, urgentemente, que o Ministério da Saúde realiza mutirões de consultas (não restringidamente ao Novembro Azul), nos pontos principais das cidades brasileiras, por meio do apoio de médicos que estão em fase de profissionalização, um fim de realizar exames rotineiros que, eventualmente, podem diagnosticar doenças precocemente, assim, garantindo a possibilidade de realização de um tratamento adequado.