Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 09/12/2020

A Carta Magna de 1988, em seu artigo 196, reconhece a saúde como direito de todos e dever do Estado. Entretanto, ao analisar a saúde masculina, verifica-se que o este gênero apresenta menor adesão a medidas preventivas e menor participação nos serviços de saúde, o que aumenta a mortalidade do grupo. Nesse sentido, essa parcela da população é mais prejudicada por enfermidades, seja pelo estigma em relação ao autocuidado, seja pela socialização tóxica imposta a esse grupo.

Diante desse cenário, grande parte desse segmento negligencia o cuidado de si no âmbito preventivo, e recorre ao atendimento médico somente em casos de adoecimento grave. Nessa seara, muitos homens não adquirem a proatividade de buscar tratamento ou evitar as enfermidades, haja vista que, para muitos, é uma demonstração de poder e sexualidade. Por conseguinte, os que se recusam à considerar a saúde como prioridade, são impossibilitados de desfrutar os avanços da medicina.

Ademais, até a modernidade foi perpetuada a ideia de que o cuidado da família é de responsabilidade da mulher, atribuindo a ela os serviços e espaços de saúde. Tal pensamento é alicerçado em padrões culturais sexistas, que limitam ao homem exercer plenamente seus direitos, resultando à ele inobservância. Dessa forma, é preciso promover um enfoque maior na saúde masculina e alterar essa representação social.

Portanto, o Governo Federal deve organizar os serviços de saúde de forma à atender às características e demandas dessa população, evitando posturas culposas e visões estereotipadas, a fim acolher àqueles que possui uma viés de preconceito em relação ao cuidar de si. Ainda, o Ministério da Saúde, em suas campanhas de Atenção Primária, deve incluir medidas preventivas na atenção básica, ao levar em consideração os aspectos psicossociais e culturais, com o intuito de promover saúde de qualidade para todos.