Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 15/12/2020
Historicamente, o público masculino tende a frequentar menos os consultórios para realização de consultas médicas e de exames preventivos. Isso faz com que muitas doenças, como o câncer de próstata, sejam detectadas em estágios avançados, o que dificulta a prevenção, tratamento e controle. Nesse aspecto, a baixa procura se deve sobretudo aos preocupantes fatores socioculturais, como estereótipos de gênero, crenças e valores, que contribuem para a definição da masculinidade e interferem diretamente na efetivação de práticas de cuidado em saúde. Assim, urge a necessidade de medidas urgentes e conjutas entre Estado e corpo civil, para desconstruçaõ de paradigmas e garantia da saúde masculina.
Dessa forma, no pensamento ocidental figura uma representação sobre o ideal de homem como um ser viril, forte, invulnerável e provedor. Devido a isso, conforme pesquisa publicada pela Scielo, realizada com participantes não acometidos pelo câncer de próstata, 34,4% concordam que o exame de toque retal afeta a masculinidade e isso motiva a não realização deste. Logo, fica evidente que a maneira como se dá essa socialização masculina pode fragilizar e até mesmo afastar os homens das preocupações com o autocuidado - gravemente visto como uma prática feminina.
Consequentemente, dados do Instituto de Câncer (Inca) evidenciam que aproximadamente 42 indivíduos são levados ao óbito diariamente em decorrência do câncer de próstata e aproximadamene 3 milhões vivem com a doença. Além disso, conforme a psicóloca e professora da Universidade de São Paulo, Cecília Prado, as crenças e valores que permeiam o desenvolvimento de um homem influenciam diretamente no surgimento de patologias psicossociais, como o isolamento social, a ansiedade e o desenvolvimento da depressão, visto que muitos se sentem presos a graves padrões preestabelecidos relacionados ao que é culturalmente considerado “coisa de homem” ou “coisa de mulher”.
Portanto, com vistas a desconstruir estereótipos relacionados à masculinidade e a influenciar a maior busca pela saúde primária - relacionada especialmente à prevenção de doenças - pelos homens, é necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com o Inca e com ONGs voltadas para a valorização da saúde masculina, realize campanhas informativas urgentemente. Isso deve ser feito por meio de propagandas que explicitem a importância de se descobrir as doenças de forma precoce e realizar consultas médicas periodicamente, apresentadas sobretudo por homens que ja vivenciaram o câncer de próstata e atualmente vivem uma vida saudável.