Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 16/12/2020
Para o filósofo Jurgen Habermas, uma democracia só é plenamente consolidada na ótica discursiva, isto é, na constante discussões dos assuntos os quais permeiam o social. Nesse sentido, um debate que deve ser estabelecido é acerca da saúde masculina, pois embora seja um assunto relevante, tem sido pouco discutido. Nessa perspectiva, é indubitável atrelar à negligência governamental e a escassa abordagem do tema aos desafios para conscientização social.
Primeiramente, vale destacar que a displicência estatal contribui para o silenciamento da importância do autocuidado masculino. Apesar da Constituição Cidadã prelecionar como dever do Estado promover ações que garantem ao indivíduo o direito à saúde, na prática isso não acontece de forma satisfatória, haja vista dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), os quais apontam que o investimento em saúde pública no Brasil corresponde à menos de 4% do PIB (Produto Interno Bruto). Dessa forma, é perceptível que essa má atuação dos governantes apresenta íntima relação com a falta de atendimento preventivo e de tratamento dos casos de câncer de próstata, segunda doença que mais atinge os homens.
Ademais, é pertinente destacar que a insuficiente exposição dessa problemática colabora com incompreensão dos perigos da negligência com a saúde do sexo masculino. Sob essa ótica, o pensamento de Habermas traz uma contruibuição ao defender a linguagem como uma verdadeira forma de ação. Todavia, embora exista campanhas como o Novembro Azul, que tem ênfase na conscientização sobre o cancro de próstata, sozinhas são ineficazes, já que durante 11 meses do ano a mídia não aborda a questão e o Poder Público não faz uso das redes sociais para estimular a discussão.
Depreende-se, portanto, que é a responsabilidade do Estado resguardar os direitos constitucionais da população, mediante projetos capazes de atenuar a falta de informação. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com a Secretaria de Comunicação do Governo, trazer à pauta a saúde do homem, por meio das mídias de grande acesso, com palestras educativas e transmissões ao vivo. Tal projeto deve ser ministrado por profissionais da área da saúde, principalmente médicos urologistas, além de contar com a participação de exemplos reais de homens que se cuidam, a fim de desmistificar o pensamento retrógado de masculinidade forte e intocável que interfere na atenção às necessidades corporais dos homens. Sendo assim, encontraria-se uma forma de agir por intermédio do diálogo, conforme propõe Habermas.