Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 17/12/2020

O Patriarcado, sistema presente na realidade brasileira desde a colonização portuguesa, apresenta o homem como um ser superior em relação aos demais membros da famíla. De maneira análoga, essa ideologia de superioridade masculina se torna prejudicial, pois corrobora para o pensamento de que nenhuma doença irá afetá-los, negligenciando o atendimento médico e disseminando essa ideia equivocada e, consequentemente, a fixação de uma autossuficiência masculina na realidade social. Assim, é possível afirmar que os principais desafios para a conscientização masculina quanto à saude são a influência histórico-social e sensação de superioriodade em relação aos demais.

A princípio, o cantor Cazuza dizia que: “Eu vejo o futuro repetir o passado”. Nesse viés, é evidente que ideologias passadas tendem a perdurar no presente, caso não forem acompanhados com um discernimento adequado, como o pensamento de superioridade masculina, que retrata um ideal ultrapassado. Além disso, o enraizamento dessa mentalidade propicia a influência na frequência de homens nos ambientes hospitalares, pois preferem continuar com a sensação de serem intocáveis por enfermidades, do que realizarem atendimento rotineiros para conhecerem ainda mais o próprio corpo e suas limitações. Dessa forma, para que ocorra essa conscientização masculina, faz-se necessário o rompimento com o pensamento patriarcal.

Outrossim, a sensação de autossuficiência por parte dos homens afeta diretamente a sua saúde, pelo fato de que promove a abdicação da ida aos hospitais para consultas básicas, como a de orgãos genitais. Nesse âmbito, é visível que exames específicos causam desconforto ao ideal de superioridade masculina, como o exame de próstata, que é um motivo de piada para quem faz, aumentando, assim, a recusa masculina por esse tipo de avaliação médica na atualidade. Nessa perspectiva, o filósofo Jean-Jacques Rousseau dizia que: “As pessoas dizem que a vida é curta e querem diminuí-la cada vez mais”, reiterando a negligencia por partes dos homens para as consultas médicas. Desse modo, faz-se necessário o investimento em políticas educativas para incentivar a frequência masculina nos hospitais.

Portanto, é perceptível que o patriarcalismo deixou vertentes histórico-sociais para o gênero masculino, corroborando para a abdicação de consultas médicas básicas. Posto isso, o Ministério da Saúde deve promover propagandas nos meios midiáticos, com o objetivo de demonstrar a importância da frequência dos homens nos hospitais e comprovar que a sensação de autossuficiência não passa de uma mentira histórica, por meio de médicos e educadores renomados, com o intuito de romper com o ideal de superioridade masculina e a prevenção de doenças cada vez mais perigosas, como o câncer de próstata e, por conseguinte, colaborando para o aumento da longevidade humana.