Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 19/12/2020
Promulgada em 1988, a Constituição Federal, documento mor da República do Brasil, garante a todos os indivíduos o direito pleno à saúde e ao bem-estar. Semelhantemente, Thomas Hobbes, filósofo contratualista, detinha os pensamentos de que a única função do Estado seria a de proteção para seus cidadãos. Porém, infelizmente, a realidade está distante da ideal, questão que deve ser analisada e debatida. A principal causa para a ausência de conscientização masculina quanto à própria saúde é a falta de políticas públicas que estimulem o homem a procurar instituições de saúde para check-ups, bem como a falta de educação da população quanto à importância aos exames preventivos.
Em primeiro lugar, segundo Francis Bacon, filósofo e político inglês, na política, tal como na moral, é um grande mal não fazer bem. Consequentemente, conforme dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer), 68.220 novos indivíduos do sexo masculino foram diagnosticados com câncer de próstata no biênio de 2017 e 2018 e há cerca de quinze mil mortes decorrentes da doença todo ano. Dessa forma, é possível constatar que um dos fatores para o aumento de desafios para a conscientização masculina quanto a exames preventivos e check-ups mensais ou anuais é a negligência e inexistência de projetos dos políticos brasileiros, que, caso existissem, poderiam ser de extrema importância para a mudança na situação sanitária em questão.
Ademais, de acordo com Sir Arthur Lewis, economista britânico, a educação nunca foi uma despesa, mas um investimento com retorno garantido. Diante dessa ótica, seria racional concluir que o Brasil teria uma gestão educacional mais efetiva quanto a saúde não apenas da população masculina, mas dos cidadãos em geral. Contrariamente, não há propostas na educação brasileira que abordem a importância do comparecimento à consultas médicas de rotina ou mesmo de medidas que ensinem como a detecção precoce de doenças é essencial para, muitas vezes, a garantia da sobrevivência do indivíduo. Ainda, segundo Immanuel Kant, filósofo alemão, o homem é aquilo que a educação faz dele.
Portanto, são necessárias medidas de intervenções para a problemática retratada. Urge que o Ministério da Saúde estude e prepare um esquema de leis a ser entregue na Câmara dos Deputados que insira exames obrigatórios mensais e/ou anuais por meio do SUS (Sistema Único de Saúde) a serem efetuados por todos os homens a partir da idade de risco proveniente de cada doença. Para isso, deve ser elaborada uma equipe de especialistas para a análise e correta realização do projeto. Além disso, é necessário que o Ministério da Educação insira aulas que vão do ensino fundamental ao médio que promovam o ensino da prevenção à doença e a importância de check-ups. Assim, pode ser feita a conscientização social quanto a saúde masculina no Brasil.