Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 24/12/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas. No entanto, no cenário brasileiro atual percebe-se justamente o contrário quanto à questão da conscientização social sobre a saúde masculina e seus principais desafios. Nesse contexto, torna-se evidente como catalisadores da questão o legado histórico, bem como a má influência midiática.
Em primeiro plano, vale mencionar a influência do legado histórico presente na questão. De acordo com Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, percebe-se que a conscientização quanto a saúde masculina possui raízes históricas, como a masculinidade, que está fortemente presente em pleno século XXI, tornando-se um dos principais obstáculos para enfrentar essa problemática. É imprescindível, portanto, a dissolução dessa conjuntura.
Em segundo plano, cabe destacar a superficialidade da mídia diante da questão. Conforme Pierre Bourdieu, “o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão”. No entanto, a questão do novembro azul e a conscientização social quanto à saúde masculina diverge com o pensamento de Bourdieu, uma vez que os principais meios de comunicação ocultam os desafios enfrentados pela conscientização social quanto à saúde masculina e suas consequências aos indivíduos. Dessa forma, os meios midiáticos devem buscar retratar a sociedade de forma mais realista.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Assim, ONGs, em parceria com os meios midiáticos, devem desenvolver campanhas que reduza a má influência midiática sobre a conscientização social quanto à saúde masculina e suas consequências. Tais ações devem ser desenvolvidas nas redes sociais, por meio da produção de vídeos que alertem sobre as reais condições da questão, comparando o tratamento que a mídia dá com dados estatísticos sobre as reais condições da questão. Além disso, é possível também criar uma “hashtag” para identificar a campanha e ganhar mais visibilidade, a fim de conscientizar a população sobre as consequências da pouca visibilidade dada ao assunto pelos canais de comunicação.