Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 04/01/2021
É evidente que as consequências do machismo interferem em diversas áreas da sociedade. Desse modo, tem-se a saúde masculina como uma das vítimas desse entrave. Nesse sentido, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o tumor na próstata é a segunda maior causa de morte entre os homens. Dessa maneira, observa-se que a manutenção do estereótipo de virilidade culturalmente sustentado pelo patriarcalismo acarreta a recusa de muitos pacientes do sexo masculino no que tange às consultas médicas, principalmente exames de rotina com um urologista a fim de possibilitar o diagnóstico precoce.
Em primeira análise, ao se remeter ao contexto de criação do corpo coletivo hodierno, é possível relacionar o papel de provedor familiar e símbolo de virilidade como um dos fatores da representação tóxica no que tange ao comportamento do homem na sociedade. Dessa forma, a figura masculina, impulsionada pelo ímpeto de atender a postura exigida pela cultura patriarcal, acaba por desvalorizar o autocuidado e preservação da própria saúde. Em sequência, como resultado, tem-se uma menor expectativa de vida nessa parcela populacional devido à restência que eles apresentam em procurar atendimento médico com regularidade.
Por conseguinte, segundo Einstein, é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito enraizado. De tal maneira, observa-se a letalidade do cancêr na próstata como um produto direto da rejeição coletiva no que diz respeito ao ideal de fragilidade masculina e, por consequência, a necessidade de preservar essa figura de virilidade. Em função disso, muitos homens, pressionados por tabus sociais, evitam ir ao urologista, o que suscita o aumento dos casos de tumor em fase avançada, de modo a tornar o tratamento ainda mais complicado e diminuir as chances de cura.
Destarte, constata-se que o desafio à conscientização no que tange à saúde masculina se apresenta como um resultado da preservação coletiva dos estereótipos patriarcais. É fulcral, portanto, que o Ministério da Saúde, em parceria com o Inca, execute, por intermédio da televisão e Internet, propagandas publicitárias, com a divulgação de depoimentos de vítimas e especilistas do cancêr de próstata, a fim de elucidar a necessidade de consolidar a medicina preventiva e evitar o avanço de diversas doenças por meio do diagnóstico precoce, de modo a abranger a pauta da qualidade de vida do homem para além do mês de novembro (novembro azul). Assim, será possível atenuar tais entraves sociais.