Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 30/12/2020
Segundo Jean-Paul Sartre, a existência prescede a essência, assim, o meio circundante determina as características e especificidades dos indivíduos, na medida em que o homem existe para depois se tornar algo. Nesse sentido, observa-se que a masculinidade, é um constructo de gênero, ou seja, é uma invenção do convívio comunitário, tal como o filósofo propõe, responsável pela criação de preconceitos, os quais estabelecem desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina, sobretudo no novembro azul e na prevenção do câncer de próstata. Isso, pois ocorre uma vinculação do homem a um mito de invencibilidade, dificultando sobremaneira a informação e mobilização da sociedade quanto aos aspectos de fragilidade do gênero, além da formação de um tabu envolvendo os exames e as consequências da doença para a imagem masculina.
Sob essa perspectiva, é fundamental abordar a construção do homem forte e provedor ao longo da história, pelo fato disso corroborar a supremacia do gênero e invisibilizar suas dificuldades e carências, de modo que se dificulta a conscientização social quanto a saúde masculina. Então, comprova-se a dimensão histórica pela filosofia de Nietzsche, pautada no Übermensch(super-homem), retrato do máximo desenvolvimento da humanidade no homem forte, poderoso e viril. Sintetizando, por conseguinte, o mito da invencibilidade do gênero na posição patriarcal, cujos aspectos de cuidado e saúde são negligenciados por tal deificação (sacralização) do universo masculino, como propôs o filófoso alemão, desumanizando as necessidades desses indivíduos.
Outrossim, é válido destacar a estigmatização da temática, também, vinculada ao constructo de gênero e aos desafios para a conscientização social da saúde do homem. A partir disso, é pertinente citar ´´O segundo sexo, de Simone de Beauvoir, análoga a atual posição de vulnerabilidade da saúde masculina, pelo fato da autora apontar inferiorização imposta ao feminino, de modo que a aceitação do cuidado e a sujeição do exame do toque pelo homem inferiorizam o homem, igualando-o ao ´´sexo frágil. Evidencia-se, dessa forma, o tabu de viés machista que torna a posição de submissão à métodos preventidos ou à possíveis tratamentos em algo vergonhoso, que rompe o ideal de virilidade.
É imperativo, portanto, a adoção de medidas promotoras do novembro azul e a superação dos desafios para a conscientização social quanto à saude masculina. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde criar amplas campanhas educativas, por meio da divulgação de propagandas em mídias sociais, com a participação de influenciadores digitais, visando a informação e a adesão massiva da sociedade quanto aos cuidados e necessidades de preservação da saúde masculina. Consoante a isso, moficar-sà o meio opressivo e machista vigente, em prol de uma essência humana elevada, conforme Sartre.