Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 02/01/2021
Em sua obra “Em busca da política”, o sociólogo Zygmunt Bauman afirma que “tendemos a crer que pouco podemos mudar – sozinhos, em grupo ou todos juntos – na maneira como as coisas ocorrem ou são produzidas no mundo”. É com essa crença de impotência que poder público e sociedade civil organizada têm, de forma muito tímida e pouco assertiva, encarado os desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina. Logo, é imperativo um maior engajamento desses atores sociais no inadiável enfrentamento desse problema.
Em primeiro lugar, é evidente que o poder público falha ao cumprir o seu papel enquanto agente fornecedor de saúde para toda a população, o que favorece a permanência e aumento de casos do câncer mais frequente entre os homens brasileiros – de próstata. Nesse sentido, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer, no Brasil, por ano morrem cerca de 15 mil homens com essa enfermidade. Em paralelo a isso, a negação de muitas pessoas do sexo masculino referente à prevenção e detecção da doença, é uma barreira que precisa ser desconstruída para diagnosticar e tratar a doença o quanto antes. Diante disso, é válido que a União precisa investir em medidas socioeducativas, informativas e preventivas no objetivo de combater esse mal.
Consonante com Bauman, o rapper Gabriel, O Pensador, na canção “Estudo errado” reivindica uma escola que, de fato, vá além dos conteúdos tradicionais, comprometendo-se com debates dos problemas vigentes. Nesse sentido, as instituições de ensino erram quando não oportunizam à comunidade escolar espaços de discussões a respeito dos desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina. Isso se dá, em grande medida, porque tais instituições ainda se utilizam de uma pedagogia tecnicista, a qual se caracteriza pela assimilação de fatos e fórmulas e pela falta de vínculo com o contexto social. Dessa forma, fica flagrante o descompromisso de muitas escolas com a formação crítica do indivíduo.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para solucionar os desafios da alfabetização no país. Nesse viés, o Estado, aliado à mídia, por meio do Ministério da Saúde, deve promover na sociedade, campanhas educativas a fim de informar e conscientizar a população quanto a importância de diagnosticar e tratar cedo a doença, através de uma qualificada equipe multidisciplinar de saúde. Ademais, as escolas, através de palestras, debates e oficinas, devem promover, nos ambientes escolares, projetos socioeducacionais sobre o câncer de próstata e seu diagnóstico e tratamento, ministrada por médicos e profissionais capacitados. Somente assim, o país vencerá sua crença de impotência e, por conseguinte, estará mais próximo de superar esse enorme desafio.