Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 03/01/2021

No preâmbulo da Carta Magna brasileira, definiu-se o Estado Democrático como imprescindível ao exercício da cidadania. Hodiernamente, contudo, pesquisas encomendadas pelo Portal da Transparência indicam um aumento dos índices de mortalidade por câncer de próstata, o que configura uma realidade à margem da democracia. Nesse viés, os desafios para a conscientização quanto à saúde masculina representam ainda enormes dificuldades. Pode-se dizer, então, que a tênue ação estatal e o individualismo do empresariado são os responsáveis pelo quadro.

Primeiramente, deve-se ressaltar a inoperância governamental para combater hábitos deletérios. Segundo o pensamento hobbesiano, o Estado é encarregado por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à negligência das autoridades, de acordo com o jornal “O Povo”, a recusa dos homens em fazer exames de rotina, em 2016, constitui o maio obstáculo à prevenção de doenças. Dessa forma, geram-se condições favoráreis à perpetuação das comorbidades, e os direitos mais básicos positivados em lei, como o direito à qualidade de vida, são ameaçados.

Outrossim a exclusiva ambição lucrativa é parte elementar do problema. Acerca disso, destaca-se um dos princípios fundamentais da filosofia marxista, da qual se deduz que o bem pessoal, em detrimento do coletivo, ocasiona inúmeros transtornos para uma comunidade. Em análise realizada pela revista “Exame”, verificou-se que os investimentos privados, destinados à promoção da saúde masculina, apresentaram quedas abruptas nos últimos anos, tendo em vista a baixa rentabilidade do setor. Logo, desrespeita-se, em nome de interesses individuais, importantes conceitos filosóficos, culturalmente consagrados, que equilibram as relações humanas. Dessarte, o bem grupal padece sob o jugo de intenções egoístas.

Portanto, são necessárias medidas capazes de restabelecer a ordem democrática. Cabe ao Governo Federal atuar em favor da população, mediante a criação de leis que obriguem os homens a cuidarem do próprio corpo, a fim de assegurar a saúde e o direito à integridade vital. Ademais, o corpo social deve pressionar os empreendedores à financiarem projetos voltados à saúde masculina, por meio de atos educativos e campanhas de mobilização em praças e locais públicos, com a distribuição de cartilhas informativas e material complementar, no intuito de viabilizar um ambiente justo e saudável. Assim, obter-se-ão os requisitos indispensáveis à restauração da soberania civil.