Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 05/01/2021

A música “Porque homem não chora” do cantor Pablo, tornou-se hit nacional devido a sua letra que evidencia a tristeza de um homem que se nega a chorar. Em síntese, essa negação excessiva é produto de uma falha de debate sobre a fragilidade masculina. Nessa pespectiva, é evidente que isso dificulta todos os tipos de discussões que apresentam o homem como frágil, além de ser um grande desafio para a conscientização social quanto à saúde masculina, já que a submissão de uma pessoa a um exame preventido de uma doença que afeta o sistema reprodutor masculino será visto como uma fragilidade. Isto posto, ocorre o aumento de oposições ao exame de câncer de próstata no país.

Em primeira análise, é necessário ressaltar o motivo da dificuldade do debate sobre a conscientização quanto à saúde masculina. Não obstante, segundo Michel Foucalt, a construção do sujeito se faz a partir do olhar do outro. Nesse sentido, a pressão social sobre o homem evidencia o esteriótipo de um ser sem fraquezas e fragilidades e, assim, faz com que o indivíduo se negue a chorar, ou até mesmo a fazer um exame simples que poderia salvar sua vida. Em síntese, a falta de conscientização masculina sobre sua própria saúde é uma resultante da construção social que reprime o autoconhecimento da fragilidade do homem. Diante a isso, o indivíduo se nega a qualquer processo que possa o deixar vulnerável e, logo, dificulta o debate sobre sua própria saúde.

Ademais, é evidente que a falta de discussões sobre a saúde masculina torna-se peça fundamental para o aumento da negação do exame para previnir câncer de próstata. Sob a ótica do sociólogo Habermas, o debate sobre um asssunto só é possível se você tem informações a respeito. Devido a isso, é óbvio que a dificuldade na transmissões de informações sobre a saúde masculina deriva da negação da vulnerabilidade do homem, que opõe-se a uma exame de retal, já que, nessa ocasião estaria em um momento de fragilidade. Segundo a um estudo da Secretária de Estado da Saúde,  20% dos pacientes atendidos não permitiram que o médico urologista realizasse o exame de toque retal. Em suma, fica claro que a criação do esteriótipo de homem sem fraquezas torna-se uma peça fundamental para a falta de debate sobre a saúde masculina e para o aumento de casos de câncer de próstata que poderiam ser previnidos por um exame simples.

Depreende-se, portanto, que ações sejam executadas para aumentar a conscientização social quanto à saúde masculina. Desse modo, o setor de mídia brasileiro (televisões, jornais e veículos virtuais) deve divulgar campanhas para diminuir o preconceito sobre a fragilidade masculina, por meio de propagandas e representações teatrais com temas sobre a masculinidade frágil e os perigos da falta de exame de próstata, apresentando cunho emocional e racional. Dessa forma, a saúde masculina poderá ser um assunto debatido e o homem poderá salvar sua própria vida sem ser julgado.