Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 12/01/2021
Na ficção “Antes de partir”, um homem vem sofrendo de intensas dores, mas não procura um médico. Após muito esforço de sua esposa, finalmente resolve fazer um “check-up”, porém recebe um diagnóstico chocante: ele está com câncer e tem apenas alguns meses de vida. De maneira análoga à história fictícia, a sociedade enfrenta desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina. Logo, medidas devem ser tomadas analisando a problemática da masculinidade, bem como o tabu dos exames.
Deve-se pontuar, de início, que em Atenas o modelo ideal de homem era um ser intelectual e saudável. Entretanto, a partir da Revolução Industrial, um novo modelo foi criado e agora estes deveriam ser fortes, indolores e nada frágeis para continuar no trabalho fabril. Dessa forma, consoante a teoria de Beauvoir que afirma que o gênero não é intrínseco a natureza humana, mas sim algo construído socialmente, percebe-se que o ideal da masculinidade construído para eles colabora com a ideia de que não são suscetíveis a patologias e que devem suportar dores para permanecerem másculos, colocando a saúde em risco.
Em suma, pode-se pontuar, ainda, que segundo dados do Instituto Nacional do Câncer, morrem mais de 40 homens são diariamente vítimas de câncer de próstata. Contudo, esses dados poderiam ser reduzidos drasticamente caso o exame fosse realizado anualmente, porém com a falta de informações e a ideia que o exame de toco realizado na área reduziria sua virilidade e seria extremamente desconfortável, nem todos o realizam. Assim, o tabu criado traz a prática de só se buscar o médico quando a dor se torna preocupante, reduzindo a chance de cura.
Em suma, é evidente a necessidade de propostas que reduzida o impasse da masculinidade, como também o preconceito com o exame. A mídia, principal orgão informativo do país, deve desenvolver o programa nacional “Quem é forte, se cuida”, que irá promover uma campanha informacional na televisão acerca da ressignificação da masculinidade, com o objetivo de normalizar a busca ao médico quando sentir dores. Além disso, o Ministério da Saúde, responsável pela política de saúde, deve realizar palestras para homens, informando como é realizado o exame de próstata, afim de incentivar sua realização. Sendo assim, será possível reduzir os desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina facilitar o acesso e evitar eventos como o do filme citado.