Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 08/01/2021

Na série  “Eu, a Patroa e as Crianças”, é retrada a vida da família Kyle. Em um dos espisódios dessa produção televisiva, Michael, o patriarca da família, apresenta sistomas de algum problema de saúde e, diante disso, precisa se consultar com um urologista e fazer o exame do toque retal; entretanto, Kyle mostra-se averso a ideia por considerá-la um atentado a sua masculinidade.  Fora da ficção, fica claro que a narrativa apresentada pela série pode ser relacionada àquela do século XXI: os desafios para a conscientização social quanto a saúde masculina, que decorre da compreensão deturpada na construção da masculinidade e, consequentemente, da ineficiência da educação brasileira desconstruir esse  significante para a palavra homem. Logo, faz-se urgente a análise desse panorama.

Cabe pontuar, primeiramente, que, segundo a feminista Simone de Beauvoir, o indivíduo não nasce homem ou mulher, e, sim que, são produtos do condicionamento exercido pelas instituições sociais. Nesse sentido, a fé cristã no Brasil, disseminada pelos europeus durante o período colonial e que constitui a maior unidade religiosa no país, perpetua um conceito prejudicial acerca do significado da palavra masculinidade; pois ao abominar a homoxesualidade, faz com que esse indivíduo sinta-se averso aos exames de rotina na região prostática por não quererem ser discriminados. Portanto, essa concepção contriui para que, diariamente, 42 homens morram em função do câncer de prostáda.

Ademais, válido destacar, que o Estado corrobora para a perpetuação dessa problemática ao não educar adequadamente a população sobre essa circunstância. De acordo com o Artigo 6° da Constituição Cidadão, a educação e a saúde são direitos indispensáveis ao cidadão, entrentanto, tal prerrogativa não tem se demonstrado com ênfase na prática, tendo em vista que os órgãos públicos estão falhando em informar a população devidamente a respeito da saúde masculina. Tal conjuntura, conforme as ideias contratualistas do filósofo John Lock, configura-se em um rompimento com o “contrato social”, posto que o estado não cumpre com sua função de garatir qualidade de vida à sua população.

Diante disso, compele ao Governo Federal tomar medida a fim de amenizar essa problemática. Para tanto o Ministério da Educação (MEC) deve, por meio de um reforma no currículo pedagógico na educação básica, oficializar na escolas o ensino de uma disciplina voltada para a área da saúde com o intuito de orientar a população e, principalmente, os homens sobre a importância de exames de rotina com a finalidade de oferecer melhor qualidade de vida à população. . Somente assim, será possível evitar que os homens abdiquem da sua saúde com a intenção de sustentar uma masculinidade que tem se provado nociva.