Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 13/01/2021
A Constituição Federal Brasileira de 1988, ordenamento jurídico mais importante do país, ampara, em seu artigo 6º, o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal prerrogativa não tem ecoado com ênfase na prática quando se observa os desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina. Dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se essencial a análise dos fatores que favorecem esse quadro, como a negligência estatal e o tabu entorno do assunto.
Em primeiro plano, é válido ressaltar a falta de políticas governamentais mais empenhadas na conscientização sobre a saúde masculina. Nesse sentido, convêm analisar que a maioria das campanhas criadas pelo governo estão focadas apenas no mês de novembro, quando deveriam ocorrer durante todo o ano. A conscientização a longo prazo é a uma das formas mais importante de desenvolver uma nova cultura na sociedade, nesse caso, a de prevenção de doenças do homem, como o câncer de próstata. Essa conjuntura, seguindo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “Contrato Social”, já que o estado não cumpre, completamente, sua função de garantir que os cidadãos gozem de direitos indispensáveis, como a saúde, o que infelizmente é evidente no país.
Ademais, é importante apontar a falta de consciência social masculina como um impulsionador do problema. No Brasil, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) cerca de 70 mil novos casos de doenças na próstata são diagnosticados por ano, sendo a maioria deles descobertos tardiamente. Tal fato ocorre por conta de muitos homens identificarem a questão de saúde masculina como um barreira, principalmente no que tange ao câncer de próstata. O exame de toque, um dos principais métodos de descoberta da enfermidade, ainda é encarado como tabu, por conta do método utlizado para sua realização. Diante disso, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Percebe-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é fundamental que o governo federal, por intermédio do Ministério da Saúde, realize campanhas de conscientização durante o todo ano - através de informativos distribuidos nas unidades hospitalares e de pronto atendimento, propagandas na cadeia de rádio e televisão e multirões de saúde - como também palestras informativas, a fim de modificar uma cultura existente na sociedade brasileira, buscando promover a conscientização sobre o cuidado masculino. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.