Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 14/01/2021
Promulgada em 1988, com base nos Direitos Humanos, a Constituição Federal assegura a todos os cidadãos o direito à saúde. Entretanto, na hodiernidade brasileira, observa-se que, embora a campanha “Novembro Azul” promova a manutenção da saúde masculina, a qual é de suma importância, haja vista que os homens são alvos de enfermidades graves, por exemplo, o câncer de próstata, a sua atuação ainda é muito limitada. Diante disso, faz-se mister analisar as causas dessa problemática, com o intuito de solucioná-la,dando ênfase à ineficiência estatal e à falta de debate na esfera social.
Deve-se pontuar, de início, que a falta de medidas eficientes por parte do poder governamental para incentivar a população masculina a se prevenir é um dos responsáveis pelo imbróglio. Nesse ínterim, é válido salientar o pensamento do filósofo contratualista Thomas Hobbes, o qual declara o Estado como o principal responsável por assegurar o bem-estar da população. Todavia, esse pacto é rompido e não condiz com a realidade, uma vez que, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer, cerca de 15 mil homens, entre os anos de 2018 e de 2019, foram a óbito em decorrência do câncer de próstata, os quais, em sua maioria, morreram devido a não realização de exames preventivos. Dessa forma, essa insuficiência do Estado em incentivar a prática desses exames colabora para esse panorama.
Outrossim, a inexistência de uma comunicação eficiente na esfera social acerca da importância da manutenção da saúde masculina é um complexo dificultador. Nesse sentido, o sociólogo Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sob esse viés, para que ocorra, com efeito, a efetivação da campanha “Novembro Azul” e de seus objetivos, é preciso que se debate sobre o tema. Contudo, o que se observa na conjuntura hodierna é um silêncio no que tange ao assunto, o qual, muitas vezes, é omitido em decorrência da existência de tabus, principalmente entre os homens, os quais tratam a temática com preconceito e , por isso, não dialogam a respeito dela. Desse modo, essa falta de debate impossibilita a concretização da campanha.
Logo, é imperioso que medidas sejam tomadas para mitigar essa adversidade. Para isso, é preciso que o Ministério da Saúde, em conjunto com a rede midiática -principal agente influenciador-, promova a ampla mentalização do público masculino, a afim de quebrar tabus, conscientizar e incentivar os homens a adotarem medidas de prevenção e ,assim, efetivar a campanha “Novembro Azul” no país. Isso deve ser feito, por meio de infógraficos e entrevistas nas principais mídias sociais, como a televisão e a internet, os quais contarão com dados sobre os impactos negativos e, inclusive, a participação de indíviduos que já sofreram com doenças relacionadas à falta de prevenção adequada. Destarte, será possivel fomentar a efetivação da campanha e do bem-estar da coletividade masculina.