Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 13/01/2021
A Constituição Federal de 1988 assegura a todos os cidadãos saúde como direito básico. Entretanto, esse benefício não é plenamente satisfeito quando se trata do bem-estar masculino. Embora, existam campanhas como a “Novembro Azul“, com foco no combate ao câncer de próstata, promovidas pelo próprio Estado, essas medidas se mostram insuficientes. Diante do exposto, é possível analisar que, no território nacional, a conscientização social sobre a saúde do homem apresenta entraves, como a postura machista da sociedade e a negligência das escolas em incentivar o autocuidado entre os indivíduos do sexo masculino. Esse panorama justifica uma reflexão sobre o assunto.
Nesse sentido, antes de tudo, vale destacar que historicamente a sociedade mantém um comportamento machista que se estende ao campo do cuidado médico. Dado isso, são comuns discursos preconceituosos que ligam o exame de toque retal a homosexualidade. A partir disso, dados como o do Instituto Nacional do Câncer, se mostram recorrentes. Segundo o órgão, o câncer de próstata é o segundo tipo da doença que mais atinge os homens. Dessa forma, fica claro que enquanto o machismo for a regra no corpo social, a saúde masculina será a exceção e o direito à saúde que é dever do Estado não será cumprido.
Outrossim, uma outra dificuldade para difundir importância da saúde masculina é a omissão das instituições de ensino na conscientização dos indivíduos sobre o tema. Isso ocorre pela falha na abordagem desses tópicos no ambiente escolar. Baseado nisso, a máxima de Immanuel Kant sobre o ser humano ser o que a educação faz dele se faz real. Desse modo, é inviável que a aquisição de conhecimentos e abordagem de assuntos como a falta de interesse dos homens em cuidar da saúde, ou mesmo, as patologias que acometem diretamente pessoas do sexo masculino, sem que isso parta do âmbito educacional.
Portanto, fica claro que o machismo e a falta de incentivo são graves problemáticas que impactam na saúde dos brasileiros. Dessa maneira, cabe o Ministério da Saúde — Órgão do Sistema Executivo nacional responsável por levar saúde aos cidadãos — em conjunto com as escolas, promover uma cultura de autocuidado e busca de uma vida saudável pelos homens desde jovens. Isso poderá se dar por meio da implementação de palestras e debates sobre essa questão na grade curricular das instituições de ensino, liderados por profissionais da área da saúde, com intuito de tirar dúvidas de forma descontraída. Esses eventos poderão desconstruir os preconceitos que reforçam o machismo na sociedade no que tange ao bem-estar masculino. Assim, será possível promover uma conscientização efetiva sobre a saúde masculina e assegurar, plenamente, o direito pregado pela Carta Magna do Brasil