Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 12/01/2021
Pesquisas mostram que os homens tem expectativa de vida bem menor que as mulheres. Em geral, homens vivem menos e com pior qualidade, porque simplesmente, diferentemente das mulheres, ignoram cuidados básicos com a saúde. Existem diversos fatores que podem explicar tal desídia com algo tão importante, mas os mais marcantes talvez sejam o preconceito masculino arraigado na sociedade em relação a questões de cuidado e a falta de estrutura da rede médica no trato específico, curativo e preventivo, da saúde masculina.
Por conta de preconceito, de um machismo estrutural arraigado na sociedade, os homens são ensinados desde tenra idade a se comportarem como se fossem indestrutíveis. É quase senso comum no Brasil, um ensinamento passado de pai para filho, a máxima: “homem não chora”. Por evidente que esse condicionamento dos comportamentos leva os homens a encarar os problemas de saúde como algum tipo de fraqueza, algo que não deve ser transparecido, dividido com outrem ou mesmo cuidado. O resultado cruel dessa mazela social é que o médico só será procurado quando for tarde demais.
Os poucos homens que rompem a barreira social e chegam a procurar um médico, encontram um ambiente totalmente despreparado para lidar com seus problemas. É evidente que existem particularidades da saúde masculina que deveriam ser levadas em conta pelos gestores e profissionais de saúde, o que não é feito atualmente. Não há centros médicos para atenção da saúde do homem, faltam estrutura e profissionais especializados. Ora, a falta de preparo para lidar com os desafios da saúde masculina acaba por afastar grande parte dos individuos, simplesmente porque não confiam que seu problema será resolvido.
O problema é grave e de difícil solução. Não basta um comercial na televisão ou eleger um mês do anocm um nome diferente, é necessário uma mudança de mentalidade social para aplacar a crueldade que o machismo estrutural inflige aos homens. Essa transformação não depende apenas dos poderes publicos, mas sim da sociedade como um todo. Os meios de comunicação, escolas, igrejas, empresas, enfim, todos devem agir, com os meios disponiveis, para conscientizar o homem de sua fragilidade enquanto um ser humano. Em paralelo, os poderes públicos através de um diálogo institucional entre o Executivo, Legislativo e Judiciário devem implementar políticas públicas visando a construção de uma rede própria e capacitada para o atendimento específico da saúde masculina. Dessa forma o Brasil será capaz de aos poucos reverter essa mazela que tanto prejudica a sociedade.