Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 13/01/2021

O pilar da família. O protetor da casa. O guerreiro nas batalhas. Durante muito tempo esse foi o esteriotipo do sexo masculino: forte, valente e indestrutível. Nesse sentido, criou-se a imagem do “homem que nao chora”, ou seja, que não demonstra seus temores e fraquezas para aqueles ao seu redor. Como consequência, doenças como o câncer de próstata que seriam tratáveis ​​- se descobertas no início - vem causando a morte de mais de 40 homens por dia no Brasil. Com isso, torna-se vital que medidas desconstrutivas de ideologias arcaicas entrem em cena para alterar o modo como os homens enxergam seu corpo, ou seja, tirar a ideia de que são impenetráveis ​​do roteiro, pois, são humanos e consequentemente suscetíveis a problemas biológicos como qualquer outro ser.

Em primeiro plano, a figura resistente que foi vestida pelos cavalheiros de todas as épocas precisa ser desmistificada. Para tal ação, pensamentos lógicos como o do filósofo Aristóteles - que tem base em duas premissas para chegar a uma conclusão - no qual é dito: “Todo homem é mortal. Sócrates é homem. Logo, Sócrates é mortal”, servem para trazer a tona a ideia irrefutável de que, nem um dos homens mais famosos de todos os tempos era indesejado à morte. No entanto, a pragmática estupidez humana de priorizar seus valores, de conotação heterossexual, acima de sua saúde tem sido fator determinante para que vários indivíduos morressem em prol de sustentar sua viril masculinidade.

Ademais, vale ressaltar que o índice de procura médica pelo público masculino aumentou nos últimos anos graças a campanha do Novembro Azul. Contudo, ainda é preocupante o quão alto está o número  daqueles que não fazem suas consultas periódicas com o profissional de saúde. Desse modo, é nitido que promover apenas uma capanha anual de conscientização do público alvo não está proporcionando o máximo de êxito possível e desejado. Sob tal ótica, o debate para criação de novas campanhas ao longo dos 12 meses deve ocorrer entre os orgãos de saúde, para que a problemática - do desinteresse com a própria vida - seja combatida.

Portanto, vê-se com urgência que atitudes, visando a alteração do pensamento masculino e também melhorar o espalhamento de campanhas em prol da saúde, sejam executadas pelos departamentos responsáveis. Para isso, o MEC deve implementar nas grades curriculares palestras com especialistas da área, a fim de promover a desconstrução do repúdio que os homens têm quanto ao exame de toque, mudando desde a formação o pensamento da futura população brasileira. Somado a isso, o Ministério da Saúde, em parceria com a televisões abertas, deve promover a criação de campanhas similares a do Novembro Azul na qual serão divulgadas pela mídia nos horários nobres da progamação, com intenção de atingir a grande massa populacional com os efeitos positivos de uma consulta preventiva.