Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 14/01/2021
A Constituição Federal, maior ordenamento jurídico brasileiro, assegura a saúde como um direito de todos os cidadãos, independentemente do sexo. Entretanto, esse docu-mento é ferido com a área de cuidado do homem, a qual sofre com diversos proble-mas. Dentre eles, o preconceito por parte dos pacientes, devido ao machismo enraiza-do, e a negligência estatal quanto à sua importância, já que não conta com medidas eficazes de estimulo aos exames. Dessa forma, exigem-se medidas paliativas. A princípio, é válido salientar que historicamente a imagem masculina foi cons-truída sob um viés machista de que não precisaria de consultas nem de exames médi-cos por ser forte e viril. Contudo, motivados pelo preconceito, muitos deles acabam trivializando os sintomas e ficando cada vez mais doentes, como, a título de exemplo, adquirindo câncer de próstata, o qual causa dor óssea ou ao urinar, e que mesmo com o Novembro Azul, é negligenciado pela maioria dos indivíduos. Segundo dados do labo-ratório Oswaldo Cruz, o câncer de próstata é a segunda maior causa de morte entre homens, e mesmo assim, o exame é o mais ignorado, evidenciando que quando o pre-conceito é regra, o bem-estar é exceção.
Outrossim, a filósofa Hannah Arendt, em seu arcabouço de banalidade do mal, postula que o Estado negligencia situações problemáticas na sociedade. Desse modo, essa teoria aplica-se ao cenário brasileiro quanto aos cuidados masculinos, uma vez que mesmo com a Política Nacional de Atenção à Saúde do Homem, o Governo não conta com divulgações eficazes e abrangentes que atraia o público alvo e combata às patologias. Conforme dados do jornal Diário do Nordeste, a maioria que negligencia sua higidez é devido à falta de informações e políticas de estímulos eficientes, o que mostra como a situação pode piorar em decorrência desses fatores.
Por conseguinte, compete ao Ministério da Saúde, em parceria com o MEC e com as escolas, a criação de oficinas extracurriculares nesses locais que, abrangendo pais e alunos, e sendo munidas de oficinas e debates, instrua sobre a importância dos cuidados dos homens e as consequências de sua ausência, bem como a apresentação de dados sobre a letalidade das doenças que mais afetam, a fim de, além de estimula-los a procurarem acompanhamento médico, instruir as crianças sobre futuros cuida-dos com a saúde. E só assim, com medidas graduais e progressivas, estimular e me-lhorar o quadro da busca masculina por assistência médica e fazer valer a Carta Mag-na de 1988.