Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 15/01/2021

O Artigo 196, da Constituição Federalde 1988, especifica o acesso à saúde e o dever do Estado sua promoção mediante políticas sociais e econômicas, que tenham como base a prevenção de doenças. Nessa perspectiva, campanhas de esclarecimento social quanto ao bem-estar do indivíduo são extremamente importantes, vale citar o Novembro Azul, mês de combate ao câncer de próstata. Contudo, a conscientização social quanto à saúde masculina, ainda, apresenta nefastos desafios no contexto brasileiro, seja pela conjuntura histórica do país, seja pela negligência estatal em não divulgar sobre a promoção da saúde masculina e a desconstrução de paradigmas em ambientes educacionais.

Em primeiro plano, a problemática em questão tem suas origens na conjuntura histórica colonial do patriarcado, que originou a dominação masculina na sociedade brasileira. De acordo com a teoria “Habitus”, do sociólogo francês, Pierre Bourdieu, toda sociedade incorpora padrões sociais impostos e os reproduzem ao longo das gerações. Sob essa ótica, pela conjuntura histórica brasileira estar, intimamente, ligada à figura do homem como ser dominante, padrão a ser seguido, arquétipo da humanidade, torna-se difícil muitos homens se enxergarem doentes, pois é a própria visão de saúde e vigor da sociedade. Dessa forma, esse inconsciente coletivo incute nessa parcela social a noção de não precisar se procupar com a saúde preventiva, do contrário, é socialmente visto como uma comportamento gay, metrossexual, algo visto como pejorativa muitas vezes.

De outra parte, a baixa discussão sobre a saúde masculina em ambientes educacionas, também, é um desafio para essa plena conscientização social. Segundo o conceito de “Educação Bancária”, do pedagogo, Paulo Freire, a educação brasileira não reflete as reais necessidades socias dos alunos, ao ensinar conteúdos muito técnicos, distantes do cotidiano e dos valores necessários para a vida coletiva e individual. Com isso em mente, uma educação que não fala sobre a saúde masculina impede que paradigmas sociais sejam descontruídos, como a visão negativa sobre o sentimentalismo masculino, frequentemente, visto como fraqueza, como um comportamento que não condiz com seu gênero, quando, na verdade, pode ser um caso de depressão que deve ser levado em conta e tratado como tal.

Dado o exposto, é imperioso, a fim de promover a saúde masculina e fazer valer o Artigo 196, o Ministério da Educação(MEC) deve inserir na grade curricular do ensino médio um projeto social de democratização, divulgação e conscientização sobre a saúde masculina com os meninos, a partir de gincanas, trabalhos em grupo, atividades extraclasses, visitas de homens que venceram doenças devido à prevenção e ao cuidados com a saúde, além de esclarecerem a eles sobre o Novembro Azul.  Por fim, esse  projeto poderá ser realizado por meio de verba do BNDES  para custear os profissionais.