Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 01/03/2021
A saúde masculina é uma questão importante para a manutenção da saúde pública. Entretanto, mesmo com sua importância, a saúde dos homens continua sendo negligenciada devido a estigmas associados à figura do homem na sociedade. Desta forma, fazer exame de próstata ou ir regularmente ao médico são ações consideradas desnecessárias, e até mesmo discriminadas por grande parte dos homens, o que pode ocasionar um aumento dos casos de câncer de próstata e outras doenças relativas à áreas íntimas. Essa situação representa uma ameaça à manutenção da vitalidade masculina do país, e contribui para a perpetuação de uma idealização irreal de masculinidade nas mídias, devendo, portanto, ser combatida.
Em primeira instância, a higiene masculina não é um hábito muito incentivado no Brasil, uma vez que, de acordo com o jornal O Globo, cerca de mil homens têm seu pênis amputado por ano. Essa situação não se remete somente à pessoas em situação de rua que têm pequena disponibilidade de banhos, mas também a indivíduos que, por sentirem sua masculinidade ameaçada, não limpam suas genitálias, o que pode contribuir para o desenvolvimento de doenças nestes órgãos. Assim, condições como a foliculite, que é a infecção de folículos pilosos, podem ser desencadeadas pela ínfima lavagem da derme, quadro que gera coceira e desconforto ao portador, o que representa uma ameça à saúde plena masculina.
Ademais, a heteronormatividade, que são comportamentos socialmente esperados de pessoas com sexo biológico masculino, impõe que certas ações são exclusivas às mulheres. Desta forma, diversos homens são prejudicados por uma falsa crença de que se cuidar é uma atitude feminina, negando, assim, consultas de inspeção ou buscar auxílio para problemas íntimos, Essa normatividade é geralmente reforçada pela mídia, que promove distinção de gênero entre produtos de higiene de ambos os sexos, atitude injustificada para objetos que possuem a mesma função prática. Isso pode ser atestado pela venda de lâminas de depilação, também conhecidas como giletes, que mesmo não possuindo diferenças estruturais entre os produtos, são taxadas diferentemente, sendo as de cores azuis destinadas a homens e rosas às mulheres.
Portanto, para conscientizar grande parte da população masculina, é necessário implementar campanhas informativas, que visem desconstruir a falsa concepção acerca da higiene dos homens imposta pela mídia. Essa ação deve ser realizada pelo Ministério da Saúde, órgão governamental que administra a saúde pública, e seria realizada por meio de incentivos monetários às campanhas, além de ser veiculada na internet, para que possa atingir um maior número de pessoas.