Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 19/03/2021

Criada no ano de 1999 na Austrália por um grupo de amigos para conscientizar a população masculina de sua saúde, o movimento Novembro Azul preza o incentivo da realização do exame de próstata e o cuidado do homem para com seu bem-estar. Entretanto, apesar de ter objetivos nobres, a corrente ainda enfrenta obstáculos para sua disseminação e eficácia total, como os valores sexistas incrustados na sociedade contemporânea e atualmente, a escassez de visitas aos médicos devido ao medo de infecção pela Covid-19. Visto que, a situação é preocupante, medidas devem ser efetivadas.

Em primeira análise, é importante ressaltar que o principal impedimento para uma adesão maior de homens ao Novembro Azul, deve-se aos paradigmas impostos relacionados com a masculinidade frágil.  Nesse contexto, é possível citar como exemplo o filme “Tropa de Elite”, quando o personagem principal Capitão Roberto Nascimento, após o diagnóstico, nega-se a fazer o tratamento psicológico devido, pois justifica que era forte demais para fazer isso e que seria um absurdo ele virar um fracote no quartel. Portanto, por causa desse pensamento ele acabou posicionando a opinião alheia sobre sua masculinidade acima de sua saúde e com medo da repreensão, preferiu se negligenciar. Posto que, o mesmo ocorre em abundância com outros homens, são vitais intervenções que diminuam o óbice visto.

Paralelamente, quando a atualidade é analisada, tem-se que, aliado à questão dos estereótipos sexistas, há ainda o receio de visitas rotineiras aos médicos devido ao panorama do vírus Sars-CoV-2. Em consequência, muitos indivíduos deixaram ou postergaram seus exames de rotina, agravando o quadro do câncer de próstata- segunda doença que mais mata homens no Brasil- assim, foi provado pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) que a pandemia e o isolamento retardaram o descobrimento de inúmeros novos casos. Nesse cenário, tal situação apresenta-se extremamente prejudicial, porque quando se trata de neoplasias malignas o essencial é manter os exames de rotina para descobri-los e tratá-los o quanto antes. Logo, ações que atenuem esse panorama precisam ser concretizadas.

Em síntese, citadas as problemáticas, é imprescindível que o governo brasileiro- mais precisamente o ministério de saúde- se alie com empresas, escolas e instituições religiosas para intensificar o movimento do Novembro Azul e por meio de cartazes, panfletos e palestras, elucidar, exemplificar e conscientizar sobre a importância da saúde do homem e seu frequente exame de próstata. Pois, somente com a informação mais abrangente dos malefícios que a doença pode trazer para o afetado e sua família, será possível aplacar os desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina. Ademais, é preciso trabalhar em escolas, faculdades e cursinhos a desconstrução de ideias sexistas e letais, tornando a necessidade do bem-estar igualitária para toda a sociedade.