Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 17/03/2021

Iniciada no ano de 1999, na Austrália, a campanha do Novembro Azul foi uma iniciativa masculina, na qual um certo grupo de homens deixou o bigode crescer com intuito de chamar atenção quanto à saúde masculina e, desde então, projetos de conscientização vem sendo desenvolvidos a fim de minimizar o efeito do câncer de próstata na sociedade. Entretanto, os estigmas associados à masculinidade são a causa do aumento no número de casos e de mortes devido a esse tipo de câncer, cujos óbitos só perdem para o de pele, sendo necessário que medidas sejam tomadas acerca do assunto.

Em primeira análise, o sistema patriarcal enraizado na sociedade brasileira é responsável pelos estigmas associados à virilidade, os quais apresentam-se como obstáculos para o desenvolvimento da conscientização coletiva dos homens quanto à necessidade de realizar o exame anual. Nesse contexto, a associação do exame de toque retal à práticas homossexuais e a deslegitimação da masculinidade são estereótipos machistas e equivocados, sendo prejudiciais aos indivíduos do sexo masculino, que deixam de se cuidar por medo da opinião alheia. Dessa forma, é imprescindível que políticas públicas de desmistificação de tais estereótipos sejam desenvolvidas e aplicadas na sociedade, de modo que a saúde seja o mais importante e que seja levado em consideração o profissionalismo dos médicos durante a realização do exame, que não é uma prática sexual, mas sim preventiva.

Por conseguinte, como resultado das atitudes e concepções machistas, nos anos de 2018 a 2020, de acordo com dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer), o número de homens com câncer de próstata no Brasil ficaram na média de 60 a 66 mil, dentre os quais cerca de 24% vão a óbito. Além do mais, segundo o urologista Thiago Castro, do Hospital Anchieta de Brasília, em decorrência da pandemia de Covid-19, muitos homens deixaram de realizar o exame com medo de se contaminarem, uma vez que a recomendação da faixa etária para tal é entre 40 e 50 anos, dependendo do histórico de doenças encontrado na família dos indivíduos. Sendo assim, é necessário tornar público e de fácil acesso todas as informações e dados sobre a letalidade do câncer e sobre a importância da realização do exame de prevenção anualmente, a fim de que deslizes como estes sejam evitados.

Portanto, cabe ao Ministério da Saúde promover projetos de conscientização e incentivo ao cuidado com a saúde, por meio de campanhas de informação que atuem em empresas e locais onde há maior concentração do público-alvo, a fim de romper com os estigmas associados à sexualização do exame e também visando reduzir os casos que são descobertos após a manifestação de sintomas intensos, nos quais o tumor já está evoluído. Desse modo, será possível reduzir as mortes em decorrência de complicações na próstata e tratar os casos logo nos primórdios, obtendo melhores resultados.