Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 14/03/2021

O movimento mundial “Novembro Azul”, atuante desde 2003, objetiva promover a conscientização social quanto à saúde masculina, em especial acerca do câncer de próstata. No entanto, os índices de enfermidades entre os homens prevalece significativo. Isso porque o preconceito em relação à determinados procedimentos, associado à predominante desinformação sobre a imprescindibilidade dos cuidados, compõem desafios que dificultam a consolidação do propósito em sua totalidade. Logo, urge o acendimento de holofotes políticos e sociais à causa.

Em primeira análise, vale evidenciar a desinformação sobre a importância do cuidado com a saúde, frequente entre os indivíduos do sexo masculino, como empecilho na conscientização da comunidade. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a expectativa de vida ao nascer se mostra superior para o sexo feminino em relação ao masculino, como um dos fatores responsáveis pelo cenário tem-se que os homens são mais relapsos, no que diz respeito ao acompanhamento médico, em comparação às mulheres. Isso posto, verifica-se a premência em ampliar o fornecimento de informações - não apenas durante a campanha “Novembro Azul”, mas também cotidianamente - no tocante à influência da saúde na qualidade de vida, para popularizar o hábito entre os homens.

Outrossim, destaca-se o preconceito em relação a determinados procedimentos como intensificador dos desafios. Consoante o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de próstata representa o tipo de maior incidência entre a população masculina - correspondente à 29% dos diagnósticos da doença no Brasil. Nessa esfera, sabe-se que o exame de toque retal é indispensável para identificar o caso e propiciar a recuperação, porém de acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, 80% dos homens não realizam o acompanhamento por preconceitos de viés machista. Destarte, torna-se fundamental uma mudança atitudinal no tecido social, assim como a proposta pelo “Novembro Azul”, com o intuito de evitar o agravamento do quadro de enfermidades como a supracitada.

Infere-se, portanto, a relevância da conscientização social quanto à saúde masculina e os desafios para sua consolidação. Desse modo, compete ao poder público promover ampla divulgação de informações relacionadas à saúde do homem, por intermédio de campanhas e projetos de longa duração - que abarquem os diversos estratos sociais de forma efetiva -, a fim de inserir no dia a dia dos cidadãos hábitos e cuidados para seu bem-estar. Concomitantemente, os núcleos educacionais e familiares devem trabalhar na educação das gerações futuras contra o preconceito, com a finalidade de viabilizar uma mudança no modo de pensar. Assim, após a adoção das medidas propostas, poder-se-á atenuar os desafios enfrentados por movimentos como o “Novembro Azul” na conscientização social.