Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 12/03/2021
“Um homem não mostra a bunda para ninguém, somente no vestiário e se olhar mais de 30 segundos dá briga”. Esse trecho da crônica “o retrato da moralidade do homem” escrita por Fernando Verissímo, reforça como o machismo pervasivo da sociedade atual afeta a vida dessas pessoas, não apenas em âmbito social, mas tamém na saúde. Desse modo, campanhas como “Novembro Azul” encontram desafios cada vez maiores acerca da conscientização populacional sobre a gravidade do câncer de próstata e suas consequências desastrosas.
À priori, a quase inexistente busca dos homens por atendimento médico é proveniente de uma cultura baseada na hegemonia sexista. Dessa maneira, sob ameaça de feminilidade inerente, decorrente do medo de tornarem-se homossexuais, além do receio de serem alvos de piadas entre os amigos, esse grupo social busca cada vez menos tratamentos médicos e exames como o retal. Nesse diapasão, esses pensamentos errôneos e preconceituosos tornam-se empecilhos na legitimação da campanha Novembro Azul.
Ademais, a negligência da saúde masculina aumenta cada vez mais a sua taxa de mortalidade. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de prostata é o mais facilmente diagnosticado e o segundo que mais mata a população masculina no Brasil, estimando a morte de 1 homem a cada 38 minutos. Assim, o preconceito entorno do exame de próstata, impossibilita o diagnóstico precoce e diminui as chances de cura.
Em suma, é notavel os desafios encontrados pela campanha novembro azul e são necessárias medidas para mitigar o problema. Portanto, é imprescindível o auxílio das escolas, principais órgão responsável pela educação social, na orientação desde a infanto acerca da toxidade da masculinidade frágil patriarcal, a fim de reeducar as futuras gerações sobre a importância do autocuidado como forma de bem-estar e saúde e não sinônimo de fragilidade, como ironizou Fernando Verissímo.