Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 15/03/2021

Na Grécia Antiga, a pólis espartana era responsável pela morte de meninos com deficiências, pois não queriam que fossem vistos como fracos. No entanto, esse ato reforçou a ideia de que os homens não podem ter problemas, uma das causas do imenso impacto social que a herança do machismo ocasionou, além de gerar grande descuidado em relação à saúde masculina.

A princípio, falar sobre o câncer de próstata - segundo maior causador de mortes em homens, segundo o Correio Braziliense – ainda é considerado tabu, pois existe um medo por parte do indívudo de ser considerado alguém com “masculinidade frágil”. Assim, o exame preventivo através do toque retal é motivo de piada e preconceito, apesar de ser importante para a detecção do câncer ainda em estágio inicial. Consoante ao sociólogo Émile Durkheim, a pressão exercida sobre um indivíduo pode ser considerada coerção social e relaciona-se com a imposição e construção da imagem do homem inabalável.

Ademais, ignorar a necessidade de exames que ajudam a cuidar do próprio corpo é uma demonstração de quantos desafios existem a serem vencidos. Outrossim, a falta de procuras de informações e de leitura sobre o que acontece com o corpo no estágio cancerígeno estimula um desinteresse ainda maior, já que o indivíduo não acredita que será afetado. Ainda assim, a pandemia corroborou para que outras doenças saíssem de foco, visto que a quantidade de propagandas e cartazes sobre o novembro azul diminuiu para que houvesse espaço para falar do novo coronavírus, deixando as informações sobre o câncer ainda menos visíveis.

Dessa forma, é necessário que o Ministério da Saúde, em conjunto com as mídias, aumente as campanhas sobre a prevenção do câncer de próstata por meio de folders e publicidades digitais a fim de que o exame periódico seja realizado, apesar das condições adversas. Além disso, é necessária a desconstrução da imagem de que homem viril é aquele que não deixa que ninguém lhe toque e por isso é preciso que as escolas ensinem às crianças a realidade dos problemas ocasionados quando não se cuidam. Somente assim a conscientização social acontecerá.