Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 23/04/2021
A medicina se constituiu como ciência na Grécia há mais de 2500 anos, e desde então evoluiu constantemente aos moldes atuais. Contudo, apesar da melhora significativa na qualidade de vida humana, a população masculina, especificamente, ainda encara um grande desafio à sua saúde, o câncer de próstata. Tal fato decorre do estigma relacionado à realização dos exames preventivos e da desinformação geral sobre esse tema.
Em primeiro plano, o preconceito com o exame preventivo de toque retal causa a subdiagnosticação dos casos e, consequentemente, a alta taxa de mortalidade da doença. De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, 80% dos homens deixam de fazer os exames para detectar a doença por preconceito. Desse modo, a principal barreira ao controle do câncer de prostata no Brasil não é o nível de gravidade dessa doença nem as limitações da medicina, mas a atitude dos homens diante o processo de prevenção.
Além disso, o desconhecimento a respeito desse tema afasta o homem médio brasileiro do, desejável, diagnóstico precoce, resultando no agravemento das consequências da doença. Segundo o banco de dados do Sistema Único de Saúde (DataSUS), há a predominância da mortalidade em homens com nenhum a três anos de escolaridade (49,7%), enquanto os homens com mais de oito anos de escolaridade apresentaram uma menor mortalidade (13,4%). Diante disso, revela-se a influência do grau de conhecimento do indivíduo sobre o tratamento precoce da doença.
É necessária, portanto, a desconstrução da preconceito a respeito do exame de toque retal, bem como a conscientização sobre a doença e sua prevenção. Posto isso, o Ministério da Saúde deve criar uma campanha de conscientização sobre a importância dos exames de prevenção do câncer de próstata, de forma a convocar os homens com mais de 50 anos de idade cadastrados no SUS. Assim, ter-se-á desconstruido o estigma acerca dos exames, além da conscientização popular a esse respeito.