Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 08/05/2021

Conforme dados do Instituto Nacional de Câncer, devido, sobretudo, a falta de realização de exames de prevenção, um homem morre a cada 38 minutos devido ao câncer de próstata. Nesse viés, a consciência social quanto a saúde masculina é de extrema importância para a população brasileira. Dessa maneira, é fundamental analisar os principais desafios para essa conscientização: o imaginário da “virilidade” enraizado na sociedade e a falta de incentivo educacional no país.

Em uma primeira abordagem, deve-se falar que o “Habitus”, conceito sociológico de Pierre Bourdieu, é a “interiorização da exterioridade e a exteriorização da interioridade”, ou seja, o agente absorve e expõe características vigentes na sociedade de forma naturalizada. Nessa perspectiva, o imaginário da “virilidade”, o qual fomenta a ideia da desnecessidade de procurar ajuda, é constantemente adquirido pelos indivíduos. Nesse contexto, os homens, seguindo esse ideal, fruto do legado histórico-cultural, não procuram atendimento médico para a realização de exames anuais para a prevenção eficaz de doenças, o que pode comprometer seu bem-estar biológico. Diante desse fato, essa “virilidade”, enraizada no corpo social deve ser desestruturado para que a conscientização social quanto à saúde masculina possa ser efetivada.

Em uma segunda análise, deve-se dizer, ainda, que, segundo o filósofo Immanuel Kant, “o Homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”. Nesse sentido, a educação é um agente transformador, capaz de mudar as perspectivas humanas. Nesse cenário, a Escola possui um papel fundamental na conscientização social quanto à saúde masculina. Contudo, no Brasil, os homens não são condicionados pelas instituições educacionais a perceberem a importância de adoção de práticas relacionas a sua saúde, como a realização de exames de rotina. Desse modo, a Escola vira uma “Instituição Zumbi” conceito que, segundo o sociólogo Zygmund Bauman, representa uma entidade que perdeu sua função social, pois ela não incentiva a cultura do autocuidado para o gênero masculino. Diante disso, essa falta de estímulo é um empecilho para essa conscientização na sociedade brasileira.

Portanto, diversos desafios devem ser ultrapassados para a conscientização social quanto à saúde masculina. Assim, é necessário que o Ministério da educação desestruture o ideal da “virilidade” enraizado na sociedade atual e impeça que a Escola seja uma “Instituição Zumbi”. Essas ações devem ser realizadas por meio da criação de um programa escolar, o qual deve utilizar as aulas de sociologia e biologia para contemplar a importância da procura de ajuda médica e para incentivar a cultura do autocuidado. Dessa forma, haverá a conscientização social quanto a saúde masculina e, por conseguinte, a morte de homens pela falta de realização de exames de prevenção irá diminuir no Brasil.