Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 04/05/2021
Com o intuito de combater a neoplasia prostática,Travis Garone e Luke Slattery criaram uma campanha- inspirada no movimento outubro rosa, a qual incentiva a prevenção contra o câncer de mama entre mulheres-que ganhou o nome de novembro azul e foi difundida ao redor do mundo.No entanto, mesmo com a criação desse projeto e do fomento ao exame preventivo, concepções históricas e a realidade pandêmica impedi que a discussão sobre a consciência social quanto à saúde masculina seja ampliada e apronfundada na população.Dessa forma,o preconceito e a ausência de idas ao médico na quarentena são desafios da conscientização da sociedade sobre o assunto.
Em primeiro lugar, é necessário salientar que, com a herança de um passado histórico machista e sexista, uma concepção ideológica , a qual coloca o corpo da mulher como frágil e, antagonicamente, o do homem como forte e dispensável de cuidados médicos, distancia o ser masculino da procura por exames de câncer prostático preventivos.Nesse sentido, segundo o filósofo Michel Focault, as ideologias sociais disciplinam o comportamento humano.Ou seja, a presença de preconceitos culturamente enraizados na sociedade,os quais estabelecem o conceito de masculinidade e o ligam a uma postura rígida frente a necessidade de autocuidado e atendimento médico, domesticam e distorcem a forma de pensar dos indivíduos sobre o exame preventivo dessa neoplasia e a ida frequente dos homens aos especialistas da saúde.Assim, observa-se que o preconceito diante da preocupação médica masculina e aos estigmas relacionados ao procedimento de análise feito pelo toque retal dificulta que o câncer de próstata seja tratado precocemente , o que reflete na taxa de 15 mil mortes por ano devido a essa doença, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca).Dessa maneira, a conscientização social quanto à saúde do homem deve ser ampliada ao passo que essa masculinidade frágil e sexista for quebrada.
Ademais, é importante salientar que,com a pandemia do covid-19, o isolamento social distanciou os homens da preocupação e ida frequente ao médico.Nesse âmbito, tomando como norte a fala do urologista Thiago Castro, o medo de pegar o vírus durante a ida aos consultórios de saúde impediu que os seres do sexo masculino de realizarem os exames de prevenção e o tratamento desse câncer, ou seja, a quarentena potencializou os descuidos relacionados a saúde desses indivíduos.Dessa forma, garantir segurança na ida aos médicos diante do covid-19 é importante para ampliar esse debate.
Portanto,torna-se necessário que o Ministério da Saúde e o da Educação descontrua o conceito de masculinidade por meio de palestras mensais em faculdades e escolas com médicos que falem sobre a necessidade do autocuidado da saúde masculina a fim de conscientizar a sociedade sobre esse câncer.