Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 10/05/2021
De acordo com a Constituição Federal, a saúde é um direito social, não devendo ser limitada por quaisquer características do indivíduo. Entretanto, além da garantia de acesso, papel do Estado, a população deve recorrer a esse direito, sendo esta uma responsabilidade individual. Nesse contexto, por questões associadas às faltas de cuidado preventivo masculino e campanhas contínuas direcionadas para essa questão, muitos homens negligenciam a atenção ao seu próprio bem estar.
Primeiramente, é importante analisar o forte aspecto cultural do sexo masculino, oposto ao da maioria das mulheres, que não costuma tomar atitudes profiláticas de saúde. Nesse ínterim, dados da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia revelam que quase 50% dos homens nunca submeteram-se ao exame preventivo do câncer de próstata, fato que aumenta bastante o risco de detecção tardia dessa patologia. Dessa forma, tal hábito constitui um enorme desafio que pode comprometer sobremaneira a segurança da ausência da doença no indivíduo.
Em segundo lugar, também deve ser ponderada a carência de mais propagandas que foquem na importância do cuidado do homem com seu bem estar. Nesse aspecto, a campanha “Novembro Azul”, idealizada pelo Ministério da Saúde, tem sido amplamente divulgada com o propósito de aumentar a adesão à prevenção do câncer prostático. Porém, um estudo do Instituto Nacional do Câncer mostra que ocorreram mais de 40 óbitos por dia devido a essa doença, nos anos de 2018/2019, o que sugere que a campanha realizada de maneira pontual, exclusivamente no mês de novembro, pode ser insuficiente para cumprir seu propósito.
Logo, com base nas informações previamente apresentadas, fica evidente a necessidade de ações que contribuam para a melhoria da atenção do homem com sua própria saúde. Assim, o Ministério da Saúde, responsável pela implantação de medidas preventivas, deve manter um programa que perdure durante todo o ano de modo massivo, por meio divulgação nas mídias sociais e televisão, que deixem claros os riscos da negligência às medidas profiláticas de saúde do gênero masculino. Além disso, é importante ampliar e facilitar o acesso aos serviços de saúde do homem por meio de sistemas ambulantes, como ônibus-consultórios, semelhantemente como é feito nas campanhas de câncer de mama. Desse modo, agregando as duas ações citadas, deve haver um aumento da adesão masculina aos cuidados de saúde e, consequentemente, uma redução nas taxas de eventos adversos preveníveis causados por mau zelo próprio e autocuidado.