Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 04/05/2021
Na série estadunidense “Mad Men”, que retrata a vida dos publicitários da época de 1960, o protagonista Don Draper se depara com a queda da venda de cigarros devido aos alertas das agências sanitárias quanto ao perigo do consumo excessivo de tabaco. Diante disso, resolve apelar para o conceito de masculinidade da sociedade como propaganda, afirmando que “Homens de verdade não temem a morte”. Fora do universo ficcional, é notável que o mesmo conceito se mantém presente até a contemporaneidade, criando óbices para a conscientização social quanto à saúde masculina, como a construção social do estigma da masculinidade e a falta de senso sobre a importância do autocuidado.
Mormente, é lícito postular que existe, no ideário do corpo social, um conceito de homem que o define como sendo majoritariamente forte e invulnerável. Por tal definição, grande parte da comunidade masculina acaba por negligenciar os cuidados médicos e postergar as visitas aos profissionais da saúde, desenvolvendo inúmeros problemas desencadeados por preconceitos advindos de tal conceito. Prova disso é que, segundo o Instituto Nacional do Câncer, no ano de 2019, foram diagnosticados 68,2 mil casos de câncer de próstata, sendo a maior parte em estágios avançados e irreversíveis devido à demora do diagnóstico. Dado o exposto, fica claro que a definição de masculinidade adotada pela sociedade é extremamente danosa para a saúde masculina e deve ser desmistificada com veemência.
Outrossim, a falta de conhecimento da comunidade masculina sobre a necessidade de manter visitas aos médicos e realizar exames regularmente é fator agravante para o problema da saúde dos homens. De acordo com pesquisa realizada pelo Centro de Referência de Saúde do Homem de São Paulo, o número de homens que procuram os serviços médicos para exames periódicos é 30% menor do que o de mulheres, e 60% dos homens que realizam os exames já apresentam estágios avançados de doenças. Isto posto, infere-se que, no geral, a saúde masculina é pauta desprezada para a maior parte dos homens, e esse fato é ingrediente-mor para o elevado índice de mortalidade masculina do país.
Em suma, os desafios para conscientização social quanto à saúde masculina são evidentes e devem ser superados a partir de algumas ações governamentais. O Estado, através do Ministério da Saúde, deve promover palestras que versem sobre a desmistificação do conceito de masculinidade atual e reforcem a importância do autocuidado para a saúde masculina, com a presença de autoridades da área de saúde para trazer legitimidade às informações. Dessa maneira, o preconceito e a insegurança dos homens iria diminuir paulatinamente e, de forma gradativa, a sociedade deixaria de enxergar os indivíduos do sexo masculino como sendo somente sinônimo de virilidade e valentia e entenderia que, independentemente do gênero, todos devem atentar para os cuidados de saúde e bem-estar.