Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 07/05/2021

Conforme o Artigo 196 da Constituição Federal, a saúde é um direito inerente a todos e é dever do Estado provê-lo. Contudo, além de fornecer os serviços públicos necessários que atendam essa legislação, o Governo também deve antenar os cidadãos sobre a importância do cuidado com a saúde. Desse modo, a negligência dos homens relacionada à prevenção de doenças, bem como a falta de informações constantes acerca dos benefícios de um estilo de vida saudável são grandes obstáculos para a conscientização quanto à higidez masculina.

Em primeira análise, segundo dados do Ministério da Saúde, os homens fizeram 80 milhões de consultas médicas a menos do que as mulheres. Logo, essa estatística revela a negligência da sociedade masculina com a sua higidez. Esse problema, por sua vez, está intimamente ligado ao preconceito com homens que são mais cautelosos e realizam por exemplo consultas médicas periódicas com nutricionistas, psicólogos, urologistas. Nesse contexto, tais práticas, normalmente mais comuns no mundo femino, são estereotipadas e vistas pela sociedade em geral como fragilidades masculinas. Haja vista disso, os esteriótipos da atenção com a saúde devem ser rompidos, pois são importantes obstáculos para conscientização da importância desse cuidado.

Outrossim, a campanha anual do Novembro Azul, que visa antenar os homens sobre a prudência com sua higidez, tem seu foco normalmente restrito somente a um mês específico do ano e apenas a prevenção de uma causa de morte (câncer de próstata). Dessa maneira, em outros meses, não são evidenciados e nem combatidos problemas como doenças cardiovasculares e respiratórias que, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, são duas vezes mais incidentes nos homens e estão ligados a um estilo de vida não saudável. Com isto posto, a falta de divulgação de informações de prevenção (principalmente com a criação de costumes saudáveis) desses tipos de doenças ao longo de todo o ano mostra-se um importante obstáculo a ser suprimido.

Portanto, tais desafios devem ser analisados e rompidos. Desta maneira, cabe ao Estado e mídia desenvolverem mecanismos de combate a esteriótipos do cuidado com a higidez e à falta de divulgação de informações a respeito da prevenção de doenças que acometem mais os homens. Isso deve ser feito por meio de mais campanhas ao longo de todo o ano, não somente visando a prevenção de uma doença específica, mas sim influenciando a aquisição de estilos de vida saudáveis baseados na prática de exercícios, boa alimentação e exames periódicos preventivos, afastando-os de qualquer tipo de preconceito e esteriótipos. Para que assim, possa-se atingir um maior bem-estar social masculino devido a uma vida mais saudável.