Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 05/05/2021
O Novembro Azul começou na Austrália, em 2003, com o objetivo de trazer conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce de doenças que atingem a população masculina, como o câncer de próstata. Apesar do crescimento dessa campanha, a enfermidade citada é responsável pela morte de aproximadamente 15 mil brasileiros ao ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Por isso, é necessário discutir sobre os desafios para a conscientização da sociedade quanto à saúde masculina, entre os quais protagonizam a barreira cultural e o descaso com a saúde na rotina diária.
Em primeiro plano, observa-se que a visão cultural do homem como protetor têm consequências negativas para a saúde masculina. Em seus estudos sobre a formação da sociedade brasileira, Gilberto Freyre destaca o patriarcalismo, ou seja, a noção do homem como dono e chefe não só das propriedades, mas também da família. Essa ideia, perpetuada até o século XXI, resulta em homens que não admitem a necessidade de cuidado pois estão presos a uma versão arcaica de masculinidade, representada por homens “fortes” que não expressam emoção e têm grande resistência à dor. A imposição desse papel leva homens a escolherem trabalho que provocam mais desgaste físico, além de afastá-los do consultório médico, pois, na tentativa de demonstrar “força”, eles evitam encarar sintomas com seriedade e, como “provedores”, preferem não faltar ao trabalho para fazer exames.
Em segundo lugar, há ainda a desatenção à saúde na rotina diária, - descaso com consultas médicas, alimentação, exercícios físicos e com a saúde mental - que está presente em toda a nação. De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, 55% dos homens com mais de quarenta anos deixaram de ir ao médico. Ao fazer isso, os “check-ups”, importantes para a análise da situação física do paciente e, logo, necessários para prevenir e diagnosticar doenças precocimente, são ignorados, o que deixa os homens mais suscetíveis a enfermidades. O desprezo da saúde, no entanto, não se aplica apenas aos homens, mas à toda população brasileira e, por isso, torna-se um desafio para que haja consciência social sobre a saúde masculina.
Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, aliado à mídia, superar os problemas que impedem a conscientização da sociedade quanto à saúde dos homens. Isso deve ocorrer por meio de propagandas que atentem para a importância do cuidado com o bem-estar masculino, veiculadas durante o ano inteiro. Paralelamente, os ambientes de trabalho, virtual ou presencialmente, devem buscar ultrapassar esses desafios disponibilizando palestras sobre saúde masculina e os tabus que a cercam, direcionadas principalmente aos homens. Tais medidas têm a finalidade de inverter o cenário atual e buscar alcançar os objetivos da iniciativa Novembro Azul.