Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 09/05/2021

Há mais de 30 anos criado, o SUS (Sistema Único de Saúde) objetiva garantir saúde gratuita e igualitária. Entretanto, embora facilite que homens façam exames de rotina para prevenção do câncer de próstata, muitos negligenciam esse cuidado, haja vista que é predominante o preconceito e desinformação por parte desses. Diante disso, urge a análise e resolução desses entraves para conscientização da saúde masculina.

De início, é lícito destacar que o estigma com tais exames é consequência da masculinidade frágil. Posto isso, a vinda da corte portuguesa não trouxe apenas transformações políticas, mas também culturais no que tange à sociedade patriarcalista. Como herança histórica, muitos homens até hoje evitam cuidados básicos, erroneamente remetidos à feminilidade, ao passo que majoritariamente negam fazer consultas consideradas invasivas em detrimento da própria saúde. Em analogia, o filósofo francês Pierre Bourdieu explica que pessoas tendem a internalizar padrões, mesmo que errados, e transmiti-los às gerações. O que ele chama de “Habitus” pode ser comparado com o comportamento dos homens em defender sua masculinidade. Nesse viés, nota-se que é necessário reverter esse problema social provindo de raízes culturais.

Ademais, vale postular que o descaso governamental é outro entrave que ocasiona desinformação e impede que a saúde masculina deixe de ser marginalizada. Nessa perspectiva, embora tenha-se criado pelo SUS a campanha “Novembro Azul”, essa medida de conscientização fica restrita apenas a esse mês o que impede que se desenvolva uma constante preocupação em relação à prevenção de câncer. À luz dessa ideia, isso é comprovado pelo maior conhecimento que as pessoas têm sobre “Outubro Rosa” ou “Setembro Amarelo”, o que evidencia que, embora tenha um mês dedicado a isso, o número de campanhas não chega a ser suficiente para evitar que seja um assunto negligenciado. Desse modo, mesmo que a Carta Magna de 1988 cite a garantia de saúde a todos, o governo falha ao não levar constantemente conhecimento acerca dos riscos de não se examinar.

Portanto, diante dos desafios supramencionados é necessária a ação conjunta da sociedade e do Estado para mitigá-los. Para isso, o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Saúde, deve criar novas campanhas, estas que especifiquem não apenas o estigma da sociedade acerca dos cuidados masculinos, mas também das consequências de sua displicência, por meio do auxílio de publicitários e profissionais da saúde, para que se desmistifique a herança histórica patriarcalista e mais homens se informem acerca do assunto. Com isso, o Brasil fará jus à fundação do SUS e entraves relacionados à saúde masculina poderão ser superados.