Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 04/05/2021
Promulgada em 1988, a Constituição Federal, no Art.º 6, garante a todos os cidadãos o direito a saúde e bem-estar social. Porém, a conscientização da sociedade quanto à saúde masculina apresenta-se como desafio para a garantia desses direitos irrenunciáveis de segunda geração, seja pela supremacia enraizada designada a esse grupo social por parcela da população, seja pelo preconceito atribuído às práticas de cuidado masculino. Nessa perspectiva, esse desafio deve ser superado para que uma sociedade mais íntegra, saudável e menos preconceituosa seja alcançada.
Em primeira análise, a falta de conscientização sobre a importância do cuidado à saúde masculina de parcela da sociedade é consequência da preponderância patriarcal instaurada designada aos homens. Consoante o escritor peruano Mário Vargas Llosa, no livro “A civilização do espetáculo”, a frivolidade consiste na tabela de valores invertida da sociedade, na qual a aparência importa mais que a essência. Nesse sentido, pode-se fazer uma alusão, em que a imagem do homem como ser intangível, inabalável e até “imortal” é emoldurada nessa tabela de valores, esquecendo-se da importância da preservação ao bem-estar orgânico masculino, confirmando a frivolidade proposta por Llosa. Isso é ultrajante e de extrema preocupação, visto que a atribuição de “deuses” para esse grupo social é uma ideia totalmente ultrapassada, machista e errônea, pois todos possuem o mesmo direito à saúde -assegurado na Carta Magna-, mesmo que parcela do corpo social ainda não entenda a importância à preservação da vida masculina.
Outrossim, é importante ressaltar que a falta de conscientização social quanto ao cuidado masculino constitui-se como desafio visto o preconceito de parte da população aos homens que preservam sua saúde de forma adequada. Segundo o sociólogo alemão Ralf Dahrendorf, a anomia é uma condição social na qual as normas reguladoras do comportamento das pessoas perderam sua validade. De maneira análoga, a anomia assemelha-se ao atual cenário brasileiro, à medida que parcela do corpo social não reconhece a proeminência do zelo à saúde do homem por preconceitos assimilados a essa prática. Isso é nefasto, haja vista que o culto ao bem-estar masculino é uma prática saudável e não deve ser vista de forma pejorativa, principalmente pela imcompreensão da sociedade.
Portanto, é evidente que medidas são necessárias. O Governo Federal, juntamente com o Ministério da Saúde, deve conscientizar socialmente a população quanto à saúde masculina, por meio de campanhas palestrais, nas quais explicarão a importância do zelo a esse direito inalienável e irrenunciável, proposto na Lei Maior, a fim de que a preponderância atribuída aos homens e os preconceitos designados às práticas de cuidado desse grupo social diminuam.