Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 05/05/2021

Em “A teoria de tudo”, o protagonista é diagnosticado com uma doença que afeta o seu sistema motor. Para além da ficção, o diagnóstico do personagem não é comum na contemporaneidade visto que a saúde masculina é negligenciada. Isso ocorre por conta de raízes históricas e ideológicas, aumentando cada vez mais a taxa de mortalidade entre os homens, além da falta da ampla divulgação de informações sobre o assunto. Desse modo, os desafios para a conscientização social dessa problemática merecem um olhar crítico de enfrentamento.

Em primeira análise, é fato que a falta de busca por atendimento médico deriva de uma cultura machista enraizada na sociedade. Isso porque, a masculinidade hegemônica, muitas vezes chamada tóxica, dita como símbolo de fraqueza a menor demonstração de procura por uma vida saudável. Prova disso é que, segundo uma pesquisa do Datafolha encomendada pela Sociedade Brasileira de Urologia, 21% da população masculina acima de 40 anos não faz o exame de toque retal, essencial no diagnóstico do câncer, por não considerar “coisa de homem”; 48% assumem que, em geral, não realizam o exame por machismo. Dessa maneira, constata-se que o modelo hegemônico de masculinidade impede a sociedade de se informar corretamente.

Outrossim, esse desleixamento gera a contínua diminuição da expectativa de vida dos homens. De acordo com uma pesquisa recente da Organização Mundial da Saúde (OMS), essa negligência masculina também serve de alerta sobre como os hábitos relacionados ao modelo de “macho” estão associados à morte precoce. Em síntese, os dados comprovam que essa falta de prevenção gera o diagnóstico tardio, acarretando o prognóstico negativo e posteriormente a morte do indivíduo. Destarte, a postura estatal frente a esse problema não pode ser aceita porque é inegável que a não-informação popular contribui para a persistência da falta de busca por profissionais da saúde pela escassez de notoriedade dada à saúde masculina, geralmente esquecida e pouco discutida.

Evidencia-se, portanto, a necessidade do Poder Executivo Federal, mais especificamente o Ministério da Educação, promover uma ampliação do investimento na informação sobre a saúde masculina. Tal iniciativa ocorrerá por meio de um Projeto Nacional de Incentivo à Saúde Masculina, o qual fomentará o aprimoramento, sistematização e disseminação de dados sobre masculinidades e saúde, bem como desenvolver políticas públicas e programas de saúde para prevenir e resolver os principais problemas que afetam os homens ao longo da vida. Isso, a fim de que a saúde masculina não mais seja um tabu, e sim um tópico de conversa e construção de informação na população brasileira.