Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 06/05/2021

O patriarcalismo é vigente na sociedade desde a era pré-histórica, originário através da divisão de tarefas no qual o homem se tornou responsável pela proteção e abastecimento dos grupos. Mesmo com a evolução humana tal estereótipo ainda é pertinente e empece a conscientização social sobre a saúde masculina. Transfigurando-se de uma questão ideológica para um problema de bem-estar público, tendo em vista que muitos homens não admitem a possibilidade de apresentar alguma doença ou necessitar de cuidados externos, vendo-os como um sinal de fraqueza.

A priori o filósofo alemão Schopenhauer define em sua obra as dores do mundo justamente características que para ele definem o sexo masculino: ‘’é preciso excetuar apenas as qualidades do homem particulares ao seu sexo, por exemplo, força dos músculos, coragem etc.’’ tal reflexão ilustra a imagem criada pelo decorrer dos séculos que resumem o indivíduo a um ser firme e indestrutível. O pensador finaliza seu raciocínio afirmando que ‘’as mulheres amam muitas vezes homens feios, mas nunca homens afeminados, porque não podem neutralizar semelhante defeito.’’ levando em consideração que o mesmo considera o “afeminado” como uma dependência, nota-se rigorosamente a pressão que o sujeito sente para tecer uma personalidade mais dura, totalmente independente que não aceita ajuda ou sugestões, inclusive de médicos.

Ademais o preconceito enraizado na cultura causa diversas consequências que afetam a expectativa de vida dos homens, a falta de interesse por consultas medicas gera o diagnostico tardio, elevando as taxas de mortalidade. Perante a Sociedade Brasileira de Urologia diariamente 42 pessoas morrem vítimas do câncer de próstata. Mesmo no século XXI ainda se tem um tabu inerente a respeito do procedimento por ser realizado por toque retal. Um exemplo claro pode ser visto no seriado ‘’two and a half men’’ no qual um episódios da sétima temporada mostra o personagem principal: Charlie virando alvo de chacota por realizar o exame de rotina. Sendo está a vivencia da grande maioria dos homens.

Fica claro, portanto a necessidade de combate esse impasse. O estado deve ampliar o investimento em campanhas de conscientização sobre a saúde masculina, utilizando não só projetos como Novembro Azul mas também outras iniciativas que percorram o ano. Conjuntamente faz-se necessário parcerias com mídias televisivas e comunicativas para divulgação de palestras e propagandas acerca do tema proposto, com o intuito de se alcançar o maior número de habitantes possíveis e informá-los das desastrosas consequências desta negligência. Como base da formação a família também apresenta papel essencial ao educar os meninos desde cedo contra os estereótipos sociais. Quebrar preconceitos é uma tarefa complexa, mas que exige todos os esforços em prol da saúde populacional.