Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 05/05/2021

O conceito de Entropia, da Física, mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. No entando, fora das Ciências da Natureza, no que concerne os desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina, percebe-se a configuração de um problema entrópico, em virtude do caos presente na questão. Nesse sentido, é possível preconizar que tal problema é complexo e está atrelado ao silenciamento, bem como uma lenta mudança na mentalidade da sociedade.

Em primeiro plano, evidencia-se que a falta de debates é um grande responsável pela magnitude da problemática. Nessa perspectiva, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que um problema como os obstáculos enfrentados para disseminar uma maior visibilidade quanto à saúde da população masculina seja resolvido, faz-se necessário debater sobre. No entanto, apesar de já existir ações com objetivo de reverter o silenciamento, como o mês de conscientização do câncer de próstata, o Novembro Azul, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, visto que ainda é muito silenciada e continua trazendo consequências prejudiciais se for negligenciada. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação sobre ele.

Além disso, cabe ressaltar que um pensamento distorcido inerte na sociedade é um forte empecilho para a resolução do problema. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob esta lógica, é possível perceber que a questão dos desafios para a mentalização social quanto à saúde dos homens é fortemente influenciada pelo pensamento improcendente de que a procura da medicina preventiva, tal como a realização dos exames de rotina, configura-se como uma ameaça à masculinidade que acaba colaborando para a diminuição de possíveis diagnósticos precoces. Dessa forma, uma vez que inserida em um contexto social de visão errônea e estagnada, a tendência é adotar esse pensamento também, o que torna sua resolução ainda mais complicada.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse impasse. Como solução, é preciso que as escolas, em parceria com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre as barreiras para propagar visibilidade quanto à saúde masculina no ambiente escolar. Tais eventos devem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença de professores e médicos urologistas que possam explicar a importância da consicentização sobre doenças que afetam os homens. Outrossim, tais eventos não devem se limitar aos alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas ao tema e se tornem atuantes na busca de resoluções. Dessa maneira, como propôs Habermas, o entrave seria solucionado pelo diálogo.