Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 06/05/2021
“A água de boa qualidade é como a saúde ou a liberdade: só tem valor quando acaba.” Essa frase do escritor e médico brasileiro João Guimarães Rosa destaca o quanto a saúde é importante e não deve ser deixada em segundo plano. Isso permite uma reflexão sobre como as pessoas têm negligenciado a prevenção de doenças e também como essas atitudes causam impactos negativos na vida do paciente e da família deste. Dessa forma, cabe analisar os principais aspectos que abrangem os desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina.
De início, verifica-se que uma das melhores formas de tratar as doenças é a prevenção. Isso porque muitas enfermidades, como o câncer de próstata, por exemplo, apresentam grandes chances de cura se forem descobertos em seu estágio inicial, o que assegura que realizar exames regularmente é uma das maneiras mais eficazes de prevenir a doença. Contudo, uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) em vários estados do país aponta que 55% dos homens acima de 40 anos deixaram de ir ao médico. O que ocasiona esse cenário, muitas vezes, é o fato de muitos pacientes do sexo masculino sentirem a vontade de ir ao médico, entretanto, o receio de se sentirem constrangidos tende a se configurar como um elemento de inibição. Esse quadro fortalece os estudos filosóficos de Arthur Schopenhauer, tendo em vista que, segundo esse pensador, o homem vive em um conflito permanente entre seus desejos inconscientes e a consciência do funcionamento da realidade.
Além disso, verifica-se que as consequências de negligenciar a precaução de doenças atingem não só o paciente como um todo, mas também a família deste. Os desafios a serem enfrentados são inúmeros, dentre os quais podem ser destacados o prejuízo emocional e as dificuldades do enfrentamento da doença. Ainda, destaca-se o quanto a conscientização da população é um fator importante para mudar a atual perspectiva em relação aos exames preventivos do câncer de próstata. O “silenciar-se” diante das construções sociais que dificultam ainda mais esse desafio configura-se como um elemento intensificador da problemática, como diz os estudos da filósofa Elisabeth Noelle-Neumann, já que para evitar conflitos, ocorre a fomentação de uma “espiral do silêncio”, o que permite a manutenção de determinados entraves.
Convém, portanto, ressaltar que os desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina devem ser superados. Logo, é necessário exigir do Estado, mediante audiências públicas, palestras realizadas por profissionais capacitados a fim de desconstruir impressões errôneas a respeito do assunto. Além disso, o Poder Público criar programas, através do ministério competente, visando a conscientização da população, com o objetivo de superar os desafios do entrave e solucionar o óbice.