Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 06/05/2021

O escritor português José Saramago, em sua obra ‘‘Ensaio sobre a cegueira’’ cita, de forma metafórica, como as pessoas ficam cegas no mundo contemporâneo. Sob tal ótica, o livro reflete problemas que são vistos pela sociedade mas que não são observados com atenção, como a falta de consciência social quanto à saúde masculina, pois é uma assunto considerado um tabu, de modo a representar vários desafios para desenvolver um pensamento mais racional entre a população. Nesse contexto, faz-se pertinente analisar por que a ausência de informação além da mídia, assim como o machismo enraizado são os maiores impasses da problemática.

É primordial ressaltar que a falta de um veículo de informação além dos meios midiáticos fortalece a negligência social acerca da saúde do homem, pois não é discutido no cotidiano das pessoas. Isso ocorre porque, como a internet elabora campanhas somente na época do ‘‘Novembro Azul’’, em razão de não considerar relevante, não informa realmente ao corpo social sobre os cuidados para previnir o câncer de próstata, por exemplo, de modo a repercutir uma ideia incompleta a longo prazo. Nesse viés, o astrofísico Stephen Hawking corrobora a ideia pois, segundo ele, o inimigo do conhecimento não é a ignorância, mas a ilusão do conhecimento, ou seja, não é viavél perpetuar um pensamento apenas em fase do ano específica, pois promove uma falsa consciência social frente ao bem-estar masculino.

Simultaneamente, o machismo enraizado na sociedade também é um desafio para sensibilizar socialmente as pessoas quanto a saúde masculina, pois limita os cuidados de bem-estar do homem. Isso transcorre porque a família, desde a infância, impõe diferenças no tratamento de cada gênero, de modo a ensinar que a mulher deve ser mais previnida e responsável, diferentemente do indívidulo masculino, o que faz com que cresçam cidadãos que não frequentam o médico por puro preconceito, já que a ideia de ser um hábito do sexo oposto está estabelecida, um reflexo do machismo estrutural. De fato, dados da Organização Mundial da Saúde provam justamente a tese, pois diz que as mulheres tem uma expectativa de vida maior que os homens, tendo em vista os cuidados preventivos, de forma a retratar como um tabu pode, drasticamente, matar alguém e perpetuar esse comportamento.

Portanto, é notória a necessidade desenvolver a consciência social quanto a saúde masculina. Para isso, cabe a mídia, em parceria com empresas, promover campanhas sobre a prevenção de doenças masculinas, por meio de debates quinzenais entre os trabalhadores e profissionais especializados, a fim de promover o conhecimento do assunto e assim, um pensamento mais racional. Por sua vez, a família, como formadora de pensonalidades humanas, deve educar os filhos sem machismo, por meio de diálogos constantes, a fim de descontruir a ideia limitada sobre a saúde do homem.