Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 10/05/2021
Desde os primórdios das civilizações, o homem hétero cis é visto com superioridade nas relações sociais e detém o poder em detrimento das mulheres, configurando assim, o sistema patriarcal. Entretanto, o patriarcado impõe práticas machistas que, além de prejudicar as minorias, condena comportamentos dos homens tidos como femininos, privando-os do autocuidado e de expor suas fraquezas. Cuidar da saúde masculina é desafiador pois põe em jogo a hombridade imposta a eles e é relacionado, sobretudo, às mulheres e aos homens homossexuais. O estigma, portanto, relacionado aos cuidados da saúde masculina pode ser minimizado desde que acompanhado da desconstrução de valores machistas, junto a meios de propagação da necessidade de cuidar da saúde.
Em primeira análise, a sociedade reprime homens que se mostrem metrossexuais ou frágeis, diminuindo então a procura de ajuda médica. Segundo a revista Veja Saúde, apenas 40% dos homens até 39 anos só procuram o médicos quando se sentem mal e o índicie cai para 20% quando se trata de homens acima de 40 anos. Desse modo, a formação social dos homens impõe um comportamento viril que coloca em segundo plano o cuidado com a saúde por isso, a procura por ajuda é pequena e preocupante, pois torna os homens mais sucetíveis a doenças graves e silenciosas.
Em segunda análise, o exame de câncer de próstata é evitado, pois seu procedimento o põe como passivo e conspira contra o masculino. O exame do toque retal tem a finalidade de detectar nódulos na próstata através da inserção do indicador no ânus do paciente. Destarte, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de São Paulo divulgou uma pesquisa que aponta que 24% dos entrevistados considera o exame uma prática pouco máscula e 49% dos brasileiros acima dos 45 anos nunca realizou o exame, sendo ele o maior aliado à prevenção e diagnóstico do câncer de próstata. Portanto, as construções sociais relacionadas à masculinidade hegemônica dificultam o engajamento ao exame do toque, expondo-os ao risco do segundo câncer que mais mata homens no país.
Verifica-se então a necessidade de descontruir valores machistas que afastam os homens dos cuidados com a saúde e propagar a necessidade da valorização do bem-estar do corpo masculino. Dessa forma, faz-se necessário que o Ministério da Saúde instrua, através de minicursos, os médicos urologistas sobre os preconceitos que o exame do toque carrega e como eles devem difundir aos seus pacientes a sua importância e a idéia de que sua execução em nada fere sua masculinidade. À vista disso, mais homens desconstruirão valores machistas atrelados ao cuidado do corpo e cuidarão periodicamente da sua saúde. Assim, a formação de uma sociedade mais saudável e menos machista auxiliará na precaução de enfermidades relacionadas a criação social do homem brasileiro.