Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 07/05/2021
“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles.” A afirmação, atribuída à filósofa francesa Simone de Beauvoir, pode ser facilmente aplicada aos desafios para a conscientização quanto à saúde masculina, já que tão escandaloso quanto a negligência do Estado em relação à desinformação da população brasileira quanto à prevenção de doenças que afetam principalmente pessoas do sexo masculino, é o fato de a sociedade se habituar ao estigma relacionado ao cuidado da saúde do homem.
A priori, é importante destacar que, segundo a Constituição Federal de 1988, é dever do Estado garantir o direito à saúde de qualidade para a população. Entretanto, no Brasil do hodierno, essa lei não tem sido aplicada de forma efetiva, uma vez que o país ainda enfrenta desafios para conscientizar a população quanto à saúde masculina. Esse impasse ainda ocorre por causa da negligência do Estado em relação à divulgação de informações sobre doenças que afetam principalmente os homens, como o câncer de próstata, cujo deve ter tratamento precoce e, também, por conta da escassez de hospitais voltados para o atendimento exclusivo de pessoas do sexo masculino e suas necessidades para manter uma boa saúde.
A posteriori, é fulcral expor que, segundo o filósofo francês Pierre Bourdieu, vivemos em um processo cultural chamado “habitus”. Essa teoria afirma que um comportamento social pode ser visto como banal, uma vez que é praticado há muito tempo e de forma constante. Dessa forma, a conscientização da sociedade quanto a importância de cuidar da saúde das pessoas de sexo masculino ainda enfrenta empecilhos no hodierno, já que a população brasileira, principalmente a parcela masculina, ainda pensa de forma preconceituosa em relação a consultar-se com médicos. Por causa disso, a expectativa de vida dos homens é 65 anos, enquanto a das mulheres é 73 anos, segundo o IBGE, já que a população masculina só opta por procurar ajuda hospitalar de forma tardia, ou seja, quando a patologia já está em estágio avançado, o que aumenta a probabilidade de não resistirem e irem a óbito.
Portanto, os desafios para a conscientização quanto à saúde masculina devem ser enfrentados. Para isso, é preciso que o Estado, junto ao Ministério da Saúde, construam mais hospitais voltados de forma exclusiva para o tratamento precoce de doenças que afetam, principalmente, homens, como os cânceres de próstata e testículo, e onde informações sobre essas patologias sejam divulgadas, por meio de panfletos e instruções dos enfermeiros. Além disso, é fundamental que as instituições de ensino promovam palestras e aulas ministradas por profissionais da saúde a fim de informarem os estudantes sobre a importância de pessoas do sexo masculino cuidarem da sua saúde e para desmistificarem a associação errônea e sexista de que homens que frequentam hospitais ou procuram ajuda médica são mais fracos. Isso deve ser feito com a finalidade de não mais banalizar esses desafios.