Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 12/05/2021

Segundo o estudioso contemporâneo Lair Ribeiro, “Aquele que não tem tempo para cuidar da saúde, vai ter que arrumar tempo para doença”. Partindo disso, é preciso ter conscientização em relação à saúde, para evitar o surgimento de doenças, como o câncer de próstata. Contudo, são vistas dificuldades para realização dessas práticas. Tal realidade se aplica a dois fatores: o tabu machista imposto socialmente na realização do exame de toque, bem como à pandemia como fato fomentador na queda de prevenção.

Primeiramente, é importante salientar que o preconceito advindo do exame é uma causa latente do problema. De acordo com filósofo moderno Imannuel Kant, “O homem se torna aquilo que a educação faz dele”. Diante disso, um garoto criado sob uma mentalidade baseada no machismo, poderá sentir sua masculinidade fragilizada ao saber que o exame é feito no canal anal, visto que o órgão foi sexualizado socialmente. De conformidade com o estudo da AstraZeneca, 77% dos entrevistados concordaram que os homens não realizam os testes de precavimento prostático por intolerância. Esses dados comprovam a discriminação inserida na sociedade no que se refere ao elemento supramencionado, diminuindo gradativamente os cuidados com este tipo de carcinoma.

Além disso, é relevante ressaltar que em contexto de epidemia global, o descuido no que se diz respeito a essa categoria de cancro tende a aumentar. Conforme a Sociedade Brasileira de Urologia, houve uma queda de 50% na prevenção desta enfermidade cancerígena em 2020. Em virtude disso, o medo da contaminação pelo vírus pandêmico, assim como questões financeiras ligadas a pandemia, levam muitas pessoas a deixarem de ter cuidado com outras patologias, tendo como um exemplo o câncer de próstata. Desse modo, a consequência dessa conjuntura é o diagnóstico tardio, resultando na subida de casos fatais provenientes desta doença oncológica.

Portanto, a conscientização social quanto à saúde masculina precisa ser melhor visada. Para isso, o Ministério da Saúde, órgão responsável pela saúde no país, deve informar a população sobre a importância da prevenção da patologia supracitada, por campanhas publicitárias. Tais ações devem ter caráter desconstrutor, de forma que abominem o preconceito aderido pela sociedade sobre a realização de alguns exames de prevenção, com o fim de trazer mais lucidez sobre o assunto e gerar mais diagnósticos precoces, diminuindo as mortes dessa enfermidade no Brasil.