Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 07/05/2021

Apesar de facilmente evitado, o câncer de próstata se caracteriza como a segunda maior causa de mortes entre homens no mundo. Isso se deve, em grande parte, ao receio que muitos homens sentem em ir ao urologista e realizar os exames de detecção da doença, devido ao forte estigma que esses exames carregam em contraste com a masculinidade enraizada na cultura contemporânea. Sendo assim, deve-se observar métodos para aumentar a conscientização quanto a saúde na sociedade masculina do século XXI.

Em primeira análise, deve-se tornar explícito a toxicidade em torno da definição de “homem” na atualidade. Em áreas como a da saúde, além do problema previamente citado, o estigma da masculinidade se expande a áreas como a do bem-estar mental, onde homens têm uma maior tendência a serem relutantes em buscar ajuda com problemas como depressão, nítido pela maior taxa de mortes por suicídio nessa parcela da população mundial. Logo, desconstruir esse tipo de mentalidade deve ser o ponto de partida para qualquer campanha de conscientização voltada ao público masculino, visto que antes de propagar tratamentos, é necessário acabar com os preconceitos em volta deles.

Em segunda análise, ao se aprofundar na toxicidade do estereótipo masculino, se observa outro grande problema nessa mentalidade: a homofobia. Desde cedo, muitos meninos são educados de forma a esconder seus sentimentos, e crescem com a mentalidade que demonstrar qualquer tipo de medo ou cuidado por sua saúde são atitudes femininas. Essa pressão em sempre se comportar como menino, por medo de julgamentos por parte da família é o que acaba acarretando no futuro o comportamento de “masculinidade frágil”. Por conta disso, um exame como o do toque renal, usado para checar a saúde da próstata, aflora sentimentos de fragilidade, em que muitos homens sentem que serão “menos homens” ao realizar tal exame. Por conta disso, outro aspecto importante na conscientização dos homens sobre sua saúde se daria no âmbito familiar, em que as famílias devem educar meninos que o cuidado à sua saúde é algo inerente ao ser humano, independente do sexo.

Sendo assim, pode-se concluir que a definição atual sobre o que é ser homem afeta de forma ativa a saúde masculina, em aspectos físicos e mentais. Torna-se, portanto, necessário a criação de campanhas de conscientização para homens, pelo Ministério da Saúde, sobre os cuidados ao bem-estar, através do dinheiro arrecadado por impostos, visando abolir o estigma presente na sociedade contemporânea. É importante, também, uma melhor educação no âmbito doméstico, com o intuito de diminuir a fragilidade que cerca a cultura masculina, proporcionando aos filhos uma vida mais saudável.