Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 12/05/2021
No século XX, ao escrever o poema “No Meio do Caminho”, o escritor modernista Carlos Drummond de Andrade, alegou em sua obra que havia uma pedra no meio do caminho. Migrando para a realidade secular, é possível comparar tal pedra aos desafios enfrentados para a conscientização social da saúde masculina quanto ao câncer de próstata no país. Desse modo, tendo em vista a importância da temática, vale-se pontuar aspectos como o estigma associado aos testes preventivos, que é capaz de sensibilizar a masculinidade, bem como, as consequências que o gênero apontado sofre pelos pré-conceitos relacionados à prevenção da doença.
É imprescindível pontuar, primeiramente, que o estigma associado aos tratamentos preventivos do câncer de próstata, é um problema que assola muitos homens, que por sua vez, passam a considerar os cuidados como um fator capaz de fragilizar sua masculinidade. Segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu, um problema apenas persiste na sociedade por ser anterior e exterior ao indivíduo, sua teoria pode ser facilmente revelada ao tabu criado estruturalmente ao longo dos anos, de que o homem deve ser o mais másculo e “forte” possível. Esse esteriótipo apenas solidifica o ideário “machista” presente na sociedade. No ano de 2003, na Austrália, foi criado o movimento do Novembro Azul, que tem por objetivo desmistificar os tratamento de prevenção do câncer, para, então, finalmente, haver o incentivo e conscientização sobre importância dos cuidados com a saúde masculina.
Em uma segunda análise, faz-se lúcido a percepção de que são inúmeras as consequências tecidas pelo estigma relacionado à saúde masculina no país. O câncer de próstata é o segundo que mais acomete homens no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), e esse dado apenas comprova e torna explícito uma das tantas consequências derivadas da incoerência criada pela problemática preconceituosa supracitada. De acordo com o físico Isaac Newton, para toda ação há uma reação, e sua lei pode ser facilmente associada aos tantos retrocessos causados pela pressão social de masculinizar exacerbadamente o gênero em questão.
Em virtude dos fatos mencionados, fica evidente que medidas se fazem necessárias para inibir os desafios para a conscientização da saúde masculina no país. Logo, cabe ao Ministério da Saúde ratificar a importância de cuidados saudáveis dentro da perspetiva masculina, por meio campanhas de esclarecimento, que aborde os prós de tais tratamentos, a fim de, finalmente, previnir futuras possíveis doenças. Concomitante à isso, as instituições educacionais, devem, por sua vez, abordar o tema da masculinidade exarcebada e seus malefícios sociais, por meio da implementação de palestras à grade horária estudantil, para, então, finalmente, extinguir os esteriótipos causadores de tantos problemas. problemas prejudicais na contemporaneidade.prejudicais na contemporaneidade.