Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 08/05/2021
Segundo o filósofo francês Michel Foucault, existe um poder sobre o corpo social, dotado de saberes e discursos que legitimam sua soberania e obediência. Nesse sentido, hoje, no Brasil, como consequência dessa docilização, a coletividade repete padrões comportamentais problemáticos que geram desafios cada vez mais difíceis para conscientização acerca da saúde masculina. O maior deles, portanto, é a manutenção do machismo, que se dá, nesse caso, principalmente, ao se negar em realizar qualquer ato que ponha em xeque sua suposta masculinidade -como se cuidar. Assim, superar esses desafios é necessário para o bem-estar de toda sociedade.
A priori, é importante entender que a manutenção do machismo como desafio para a conscientização social quanto à saúde masculina se dá por repetições. De acordo com a cientista social australiana Raewyn Connell, essa atitude padronizada e quase imutável é chamada de masculinidade hegemônica e é entendida como práticas que permitem a continuidade do domínio dos homens sobre as mulheres. Ou seja, a partir do momento em que eles absorvem algumas características e atitudes que são equivocadamente atribuídas só as mulheres - como o autocuidado ou até mesmo lidar com as emoções-, vão deixar de se sentir dominantes e, por isso, preferem - na maioria das vezes não de maneira consciente- morrer a alterar o status quo.
Em consequência dessa manutenção, a falta de informação e o preconceito em torno da saúde masculina também estão inseridos nos desafios para a conscientização social. Como prova disso, segundo dados da pesquisa da VEJA SAÚDE, 63% dos homens sentem ansiedade, 46% sofrem com tristeza e 23% de depressão, ou seja, além da detecção de algum problema de saúde, a busca de ajuda pra eles também é bem complicada. Assim, a existência de movimentos como ’’ novembro azul’’ para relembrar as necessidades dos homens e tentar quebrar esse tabu em volta de sua masculinidade fragilizada é essencial na resolução desses desafios.
Superar, pois, os desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina é uma ação de extrema necessidade que garante o bem-estar geral. Nesse contexto, cabe à mídia - órgão com grande poder coercitivo na sociedade- inserir o debate sobre a necessidade o autocuidado masculino em novelas, propagandas e programas televisivos, a fim de ajudar na quebra desse tabu acerca da masculinidade frágil. Além disso, cabe ao Estado, por meio do Ministério da Educação, inserir na grade curricular -a partir do ensino fundamental- mais aulas das ciências humanas, com o intuito de educar e alertar o corpo social sobre como o machismo e sua manutenção afetam, também, diretamente a vida dos homens. Sendo assim, ele -agora- dotado de saber pode combater o poder que antes o docilizava.