Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 10/05/2021
“Cuidar da saúde também é coisa de homem”, foi a frase escolhida para a campanha do Sistema Único de Saúde durante o novembro azul, com objetivo de confrontar o ainda insistente esteriótipo másculo que acaba com a vida de muitos homens no mundo. Por isso, refletir sobre os desafios para a conscientização social quanto ao bem-estar masculino é imprescindível, uma vez que tal negligência é causada por parte de um preconceito estrutural, que fomenta um problema de saúde pública e vai contra o direito à vida.
Historicamente, pode-se dizer que a base do corpo social foi construida em cima das heranças deixadas pela Grécia antiga, valores, leis e até esteriótipos. Consequentemente, muitas das referências adotadas pelo sexo masculino foram moldadas em uma raíz patriarcal e preconceituosa, em que a “masculinidade hegemônica” é o homem lutar ferido e a adoração ao estilo de vida de um soldado espartano. Esses exemplos são refletidos em dados e pesquisas, assim como aponta o SUS, que a cada 3 mortes de adultos 2 são de homens. Dessa forma, a saúde que é um direito de todos é menosprezada, e a “máquina de formatar meninos”- educação machista por medo de acharem que são gays - gera um padrão de atitudes que prejudicam os próprios homens, que se submetem a situações extremamente prejudiciais a sua saúde e principalmente, não pedem ajuda, não falam o que sentem e fingem estar tudo bem.
Outrossim, um fator que aumenta o desinteresse e dificulta o cuidado masculino são as condições apresentadas pelos convênios, por exemplo, segundo a Organização das Nações Unidas, o câncer de próstata é a segunda maior causa de mortes por câncer no mundo, com quase 1,28 milhões de vítimas. No Brasil, o número consta em aproximadamente 64 mil incidentes, na maioria, não procuram fazer o diagnóstico por causa do procedimento do exame, muitos se sentem desconfortáveis e outros acreditam de forma pejorativa que “é coisa de gay”. O fato é que o convênio ajuda nessa desesperança, já que muitos negam ao paciente a cobertura do rastreamento da proteína na célula cancerigêna e não autorizam no país métodos menos invasivo, como a cirurgia robótica. Dessarte, o mito de que esse exame e muitos outros afetam a masculinidade ainda permeiam na mente de vários homens.
Desta feita, a real necessidade de ações governamentais movidas pelo Estado, juntamente com o Ministério da Saúde, faz-se necessária no direcionamento de verbas para a melhoria dos equipamentos, profissionais e opções para os pacientes em hospitais públicos sentirem-se confortáveis. Além disso, o Ministério da Educação por meio de palestras e aulas, debater masculinidades desde a infância, para combater esteriótipos tóxicos e garantir que a saúde do homem seja uma prática cotidiana e natural.